Escuto essa descrição com frequência, e ela quase sempre vem com a mesma pergunta no fim, "será que estou enlouquecendo?". A mulher conta que estava fazendo alguma coisa banal, lavando louça, dirigindo, deitada às três da manhã, e do nada o coração disparou, o ar faltou, veio um calor que ela não sabe dizer se era da menopausa ou do medo.
E o que mais assusta não é nem o episódio em si. É o fato de que ela nunca foi assim. Atravessou coisas muito piores na vida sem ter isso, e agora, numa fase em que teoricamente deveria estar mais tranquila, o corpo começou a reagir de um jeito que ela não reconhece.
Índice
Como é a crise de ansiedade na menopausa
A crise costuma chegar sem aviso e passar em alguns minutos, deixando um cansaço enorme atrás dela. O que aparece no corpo:
Coração acelerado ou batendo forte, às vezes com a sensação de que vai sair pela boca.
Falta de ar, aperto no peito, um nó na garganta.
Calor súbito, suor, formigamento nas mãos.
Tontura, sensação de que vai desmaiar ou de que o chão saiu do lugar.
Um medo difuso e muito concreto ao mesmo tempo, de que algo grave está acontecendo agora.
Acordar de madrugada já com o coração disparado, sem sonho nenhum para explicar.
A confusão com a onda de calor é constante, e faz sentido, porque as duas coisas compartilham quase todos os sinais no corpo. Muitas mulheres passam meses sem saber se aquilo era o fogacho ou se era angústia, e às vezes é as duas coisas juntas, uma disparando a outra.
Antes de qualquer coisa, uma orientação prática, crise de ansiedade com aperto no peito e falta de ar precisa de avaliação médica, sempre, e na primeira vez. Não é para descartar como "é da idade" nem como "é emocional". Só depois de o médico afastar causa cardíaca ou hormonal é que faz sentido olhar para o resto, e este texto trata do resto.
Por que a crise de ansiedade aparece agora, e não antes
Existe uma explicação hormonal, e ela é real. A queda do estrogênio afeta os mesmos sistemas do cérebro ligados ao humor e ao sono, e isso deixa o corpo mais reativo, com o alarme mais fácil de disparar. Quem cuida dessa parte é o médico, e vale cuidar.
Mas repare numa coisa, se fosse só hormônio, todas as mulheres teriam crise de ansiedade na menopausa, e não é o que acontece. Muitas atravessam a fase com desconforto físico e nenhuma angústia dessas. A queda hormonal explica por que o alarme ficou mais sensível. Ela não explica o que está sendo alarmado.
E é aí que a idade entra de um jeito que quase nunca é falado. A menopausa não chega sozinha, ela chega junto com uma safra de outras coisas, os filhos saindo de casa ou deixando de precisar, os pais adoecendo ou morrendo, o casamento chegando a um ponto que pede revisão, a carreira num lugar que ou já se estabilizou ou já não vai mudar. É muita coisa acontecendo no mesmo período da vida.
Por que "é só hormônio" não explica a crise de ansiedade
Quando a mulher procura ajuda e ouve que é da menopausa, a frase costuma ter uma intenção boa, de tranquilizar. Só que ela produz um efeito estranho, porque transforma tudo o que está sendo sentido em efeito colateral de uma glândula.
O problema prático disso é que ela sai da consulta sem lugar nenhum para pôr o que sente. Se é só hormônio, não há o que pensar, não há o que falar, é esperar passar ou repor. E quando o tratamento hormonal melhora o calor e o sono mas a angústia continua, ela conclui que o problema agora é ela.
Por exemplo, é comum uma mulher relatar que a reposição resolveu boa parte dos sintomas físicos e mesmo assim ela continua acordando às quatro da manhã com o peito apertado. Isso não significa que o tratamento hormonal falhou. Significa que existe alguma coisa ali que não era hormonal desde o começo.
O que a análise enxerga por trás da crise de ansiedade
A psicanálise entende a angústia como um sinal, não como o problema em si. Ela avisa que existe algo pedindo elaboração, alguma coisa que está pressionando e ainda não encontrou palavra.
Na menopausa, o que costuma estar pressionando tem a ver com perda, e com um tipo de perda que a nossa cultura não deixa nomear direito. Não é a perda da fertilidade em si, porque muitas dessas mulheres não queriam mesmo ter mais filhos. É a perda da possibilidade, que é diferente. É a porta se fechando numa coisa que ela nem queria, mas que enquanto estava aberta dizia algo sobre quem ela era.
Some a isso tudo a questão do corpo. Uma mulher que passou a vida inteira sendo olhada de um jeito começa a ser olhada de outro, ou a não ser olhada, e isso mexe com uma parte da identidade que ela talvez nem soubesse que estava ali. É uma reorganização silenciosa e profunda de quem ela é, feita sem nenhum ritual e quase sempre sem ninguém para conversar.
A crise de ansiedade, nessa leitura, não é o defeito. É o corpo avisando que tem coisa demais acontecendo sem passar pela palavra.
Crise de ansiedade não é enlouquecer
Essa é a frase que mais aparece, e ela merece resposta direta, não, você não está enlouquecendo, e não, você não ficou fraca de uma hora para outra.
O que assusta de verdade nessa fase não é a crise de ansiedade em si, é a sensação de não se reconhecer. A mulher que sempre foi a pessoa firme da família se pega chorando com propaganda. A que nunca perdeu a paciência se irrita com o barulho da mastigação. E ela conclui, sozinha, que está se perdendo.
Não está. Está atravessando uma transição que o corpo faz de forma visível e que a vida psíquica faz em silêncio, e as duas coisas juntas dão essa impressão de estranhamento. Nomear isso já muda alguma coisa, porque o que assusta não tem nome ainda.
O que ajuda de verdade
Vou ser honesta sobre o que ajuda pouco, respirar fundo durante a crise de ansiedade alivia o episódio e não impede o próximo. Chá, exercício e sono bom fazem diferença real na base, mas não tratam o que está por trás. São apoio, não tratamento.
O que muda de fato costuma envolver três frentes ao mesmo tempo. A avaliação médica, para cuidar da parte hormonal e afastar outras causas. Um espaço de escuta onde ela possa falar dessas perdas sem ouvir que é bobagem ou que é da idade. E, em alguns casos, avaliação psiquiátrica, quando a angústia está intensa a ponto de atrapalhar o funcionamento.
E ajuda muito uma coisa simples que quase ninguém oferece, alguém que escute aquilo como assunto sério, e não como fase. Muita mulher chega ao consultório dizendo que é a primeira vez que fala disso em voz alta, depois de meses.
Quando procurar ajuda
Vale procurar se as crises estão se repetindo, se você começou a evitar lugares ou situações com medo de que aconteça de novo, se o sono não volta ao normal, ou se a sensação de não se reconhecer está durando semanas.
Também vale se você já cuidou da parte médica, os exames estão bem, o tratamento hormonal está em dia, e mesmo assim alguma coisa continua apertando. Isso é o sinal de que sobrou algo para ser falado.
E se em algum momento aparecer o pensamento de não querer mais estar aqui, procure ajuda no mesmo dia. O CVV atende 24 horas pelo telefone 188, é gratuito e sigiloso.
Vale dizer que a crise de ansiedade na menopausa é reconhecida também pela ginecologia. A FEBRASGO, a federação brasileira de ginecologia e obstetrícia, aponta entre os efeitos dessa fase as alterações psicológicas, a ansiedade e a irritabilidade, e inclui o aporte psicológico entre os cuidados do climatério. Ou seja, procurar escuta aqui é parte do tratamento, não exagero.
Se o tratamento hormonal melhorou os sintomas físicos da menopausa, por que a ansiedade continua?
Porque nem tudo o que se sente nessa fase é hormonal. É comum uma mulher relatar que a reposição resolveu boa parte dos sintomas físicos, como o calor e o sono, e mesmo assim continuar acordando de madrugada com o peito apertado. Isso não significa que o tratamento falhou, significa que existe alguma coisa ali que não era hormonal desde o começo, e que pede um tipo diferente de cuidado.
Uma crise de ansiedade com aperto no peito na menopausa precisa de avaliação médica?
Sim, sempre, e na primeira vez. Não é para descartar como "é da idade" nem como "é emocional". Só depois de o médico afastar causa cardíaca ou hormonal é que faz sentido olhar para o resto.
Respirar fundo ou tomar chá resolve a crise de ansiedade na menopausa?
Ajuda pouco, sozinho. Respirar fundo durante a crise alivia o episódio, mas não impede o próximo. Chá, exercício e sono bom fazem diferença real na base, mas não tratam o que está por trás, são apoio, não tratamento.
A crise de ansiedade na menopausa é reconhecida pela medicina, ou é só uma questão emocional?
É reconhecida também pela ginecologia. A FEBRASGO, a federação brasileira de ginecologia e obstetrícia, aponta as alterações psicológicas, a ansiedade e a irritabilidade entre os efeitos dessa fase, e inclui o aporte psicológico entre os cuidados do climatério.
Priscila Soares Falchi
Priscila Soares Falchi é Psicóloga Clínica (CRP 06/200925) e Psicanalista formada pelo instituto IBCP. Pós-graduada em Psicanálise Contemporânea pela PUC-RS, com especialização livre em Práticas Clínicas na Infância, e pós-graduanda em Terapia Cognitivo-Comportamental pela PUC-RS. Atende adultos, adolescentes e crianças em Santo André e também de forma online.
O coração dispara do nada e vem o medo de estar enlouquecendo. Entenda por que a crise de ansiedade aparece nessa fase e por que "é só hormônio" não explica.
As listas de sintomas param no calor e na insônia. Os sinais emocionais, que são os que mais assustam, quase nunca aparecem. Estes são eles, e o que há por trás.
Menopausa e psicanálise: um encontro transformador na segunda metade da vida.Quando os hormônios se despedem, a psique se revela: explorando os desafios e as potencialidades da menopausa na clínica psicanalítica
Menopausa: navegando pelas transformações emocionais da meia-idade. Além dos sintomas físicos: como a menopausa afeta a saúde mental das mulheres e o que a psicanálise tem a dizer sobre isso
Depois da menopausa a pergunta que aparece não é sobre o corpo: é sobre quem você é agora. Veja o que muda na identidade e o que ajuda a atravessar essa fase.
Para as mulheres na menopausa, a psicanálise oferece uma visão valiosa para propiciar uma forma efetiva de examinar e compreender as transformações que estão vivenciando
Quando a mulher procura o que está acontecendo com ela, encontra tabelas. Fogacho, suor noturno, secura, insônia, ganho de peso. Listas de doze, de trinta e quatro, de setenta e seis sintomas, quase todas terminando na mesma sugestão de tratamento hormonal.
O que ela raramente encontra é alguém falando da parte que mais a assusta. É a sensação de estar virando outra pessoa, não o calor. E como ninguém nomeia isso, ela conclui que é a única, ou que o problema é ela.
Índice
Os sinais emocionais que quase ninguém lista
Esses são os relatos que mais escuto, e que costumam ficar de fora das listas:
Não se reconhecer. Reagir de um jeito que não é o seu e se assustar com a própria reação.
Choro sem motivo identificável, às vezes por coisas mínimas, às vezes por nada.
Irritação desproporcional, seguida de culpa por ter sido assim com quem se ama.
Ansiedade que aparece no corpo: coração disparado, aperto no peito, acordar às três da manhã em alerta.
Perda de confiança. Duvidar de decisões que antes tomava sem pensar.
Névoa mental. Esquecer palavras no meio da frase, entrar num cômodo e não lembrar por quê.
Vontade de sumir, não no sentido grave, mas de ficar sozinha e não ter que responder a ninguém.
Uma revisão da vida inteira que chega sem ser chamada, e que costuma vir em tom de cobrança.
A névoa mental merece um parêntese, porque é a que mais assusta. Muita mulher chega achando que está com um problema neurológico. Ela vem junto com o sono ruim e com a sobrecarga, e costuma melhorar quando esses dois melhoram, mas isso ninguém diz.
A perda de confiança também merece nota, porque é a que mais custa caro na prática. Mulheres que decidiam sem hesitar começam a pedir opinião para tudo, e algumas recusam oportunidades de trabalho nessa fase por não se sentirem mais capazes. A capacidade dela não mudou em nada. O que mudou foi a certeza sobre ela.
Por que quase ninguém fala dos sinais emocionais
Existe uma razão simples e incômoda. Os sinais físicos têm tratamento, e os sinais emocionais não.
Boa parte do conteúdo sobre menopausa na internet é produzido por quem tem um produto no fim, e nesse formato o sofrimento emocional aparece no máximo como um item da lista, entre a secura e a queda de cabelo. Ele nunca é o assunto, porque não leva a lugar nenhum comercialmente.
E há uma segunda razão, mais silenciosa. Falar de menopausa é assumir a idade em público, numa cultura que trata envelhecer como fracasso feminino. Muita mulher não comenta nem com as amigas, e descobre só depois que elas estavam passando pela mesma coisa, caladas, ao mesmo tempo.
Compare com a adolescência, que também é uma transição hormonal com efeitos emocionais fortes. A diferença é que ninguém espera que uma adolescente atravesse aquilo em silêncio e sem apoio. Da mulher de cinquenta se espera exatamente o oposto, que resolva sozinha, sem incomodar, e de preferência sem que ninguém perceba.
Sinais emocionais: o que é hormônio e o que não é
Quero ser justa com a parte médica, porque ela é real e importa. A queda do estrogênio afeta os mesmos sistemas ligados a humor, sono e memória. Isso deixa o corpo mais reativo, e é aí que os sinais emocionais aparecem com mais força. Avaliar e tratar essa parte com o médico faz diferença concreta, e não é frescura.
O que eu contesto é o ponto final. Quando a explicação hormonal vira a explicação inteira, tudo o que a mulher sente é convertido em efeito colateral de uma glândula, e ela fica sem lugar para pôr a própria experiência.
O teste prático é simples. Se depois do tratamento hormonal o calor melhorou, o sono voltou, e a angústia continuou, então sobrou alguma coisa que não era hormonal desde o começo. E isso acontece com muita frequência.
O que está mudando por dentro
A menopausa é uma passagem, e toda passagem leva tempo para ser assimilada. O corpo muda de estado, mas o que muda também é o lugar que a mulher ocupa na própria história.
O que costuma estar em jogo raramente é dito em voz alta. É o fim de uma possibilidade que ela talvez nem quisesse exercer, mas que enquanto existia dizia algo sobre quem ela era. É a mudança no modo como é olhada, que mexe numa camada da identidade que nunca precisou ser pensada. E é uma revisão de tudo o que foi escolhido até aqui, que chega sem aviso e costuma vir em tom de julgamento.
Some a isso o momento. Essa passagem quase nunca acontece numa vida vazia. Ela chega junto com pais adoecendo, filhos saindo, casamento em revisão, trabalho estabilizado. É a fase de maior demanda com a menor energia disponível.
Nada disso é sintoma, e essa é a diferença que importa. É um trabalho interno. E quando ninguém ajuda a dar nome ao que está acontecendo, esse trabalho acaba saindo pelo corpo.
A solidão, um dos sinais emocionais mais comuns
Existe um isolamento próprio desse período que é diferente de estar sozinha.
A mulher está cercada de gente, muitas vezes cuidando de todo mundo, e mesmo assim não tem com quem falar disso. Com os filhos não fala para não pesar. Com o marido não fala porque ele minimiza ou se sente cobrado. Com a mãe não fala porque a relação já é de cuidado invertido. Com as amigas não fala porque parece queixa de quem tem a vida boa.
Então ela acaba calando. E calar, aqui, tem um custo específico. Sem alguém para escutar, ela perde a chance de descobrir que o que sente tem sentido, e vai reforçando a ideia de que o problema é ela.
Quando os sinais emocionais são mais que a transição
Nem tudo nessa fase é a transição em si, e essa distinção importa demais.
A menopausa é um período de risco aumentado para episódios depressivos, principalmente em quem já teve depressão antes, em quem está sob estresse crônico, e em quem passou por perdas recentes. Oscilar de humor é uma coisa, com dias melhores e piores. Ficar num estado que não dá trégua por semanas, sem prazer em nada e com cansaço já ao acordar, é outra, e pede avaliação profissional sem esperar.
O trabalho analítico nessa fase tem um jeito próprio de atuar, que detalhei em como a psicanálise ajuda mulheres no climatério. E o que vem depois que os sintomas físicos passam é assunto de a vida depois da menopausa. Nas próximas semanas publico um texto dedicado a cada uma das portas de entrada citadas acima, e eles vão aparecer na lista no fim desta página.
O que ajuda de verdade com os sinais emocionais
Cuidar da base ajuda e vale fazer, dormir melhor, fazer avaliação médica, se movimentar, reduzir o que dá para reduzir. Isso amplia a margem, e margem faz diferença real no dia a dia.
Mas o que muda o quadro é entender, não só desabafar. Desabafar alivia e passa. Entender é descobrir por que esse choro veio agora, contra o que é essa raiva, o que exatamente está sendo perdido. O que ganha nome deixa de ser assombração.
E ajuda saber de uma coisa que quase ninguém diz nessa fase. Muitas mulheres saem dela mais inteiras do que entraram. Não porque a menopausa seja uma bênção disfarçada, mas porque a revisão que ela força, quando é acompanhada, costuma devolver escolhas que estavam adiadas há trinta anos.
Quando procurar ajuda
Vale procurar se você se reconheceu em vários itens deste texto, se está escondendo o que sente de quem convive com você, se a sensação de não se reconhecer dura semanas, ou se você já cuidou da parte médica e alguma coisa continua apertando.
Não é preciso esperar piorar, e não é preciso ter um motivo grande. O motivo pode ser exatamente você não estar se reconhecendo, e querer entender.
Se aparecer o pensamento de não querer mais estar aqui, procure ajuda no mesmo dia. O CVV atende 24 horas pelo telefone 188, é gratuito e sigiloso.
Se quiser um espaço para olhar isso com calma, agende uma primeira conversa. Atendo online para todo o Brasil, e trabalho especificamente com mulheres nessa fase da vida.
Os sinais emocionais da menopausa não são invenção de quem sente. A FEBRASGO, a federação brasileira de ginecologia e obstetrícia, aponta entre os efeitos dessa fase as alterações psicológicas, a ansiedade, a irritabilidade e o humor mais depressivo, e coloca o aporte psicológico entre os cuidados do climatério, ao lado da orientação alimentar, da atividade física e da terapia hormonal.
Como diferenciar oscilação de humor da menopausa de uma depressão que precisa de tratamento?
Oscilar de humor, com dias melhores e piores, é esperado nessa fase. Já ficar num estado que não dá trégua por semanas, sem prazer em nada e com cansaço já ao acordar, é outra coisa, e pede avaliação profissional sem esperar. A menopausa é um período de risco aumentado para episódios depressivos, principalmente em quem já teve depressão antes, está sob estresse crônico ou passou por perdas recentes.
Como saber se um sintoma na menopausa é hormonal ou é outra coisa?
Existe um teste prático. Se depois do tratamento hormonal o calor melhorou, o sono voltou, e a angústia continuou, então sobrou alguma coisa que não era hormonal desde o começo. Isso acontece com muita frequência.
Por que os sinais emocionais da menopausa são tão pouco falados?
Existem duas razões. Os sinais físicos têm tratamento vendável, e os emocionais não, então boa parte do conteúdo sobre menopausa é produzido por quem tem um produto no fim, e o sofrimento emocional aparece no máximo como item de lista. Há também uma razão mais silenciosa, falar de menopausa é assumir a idade em público, numa cultura que trata envelhecer como fracasso feminino, e por isso muita mulher não comenta nem com as amigas.
O que realmente ajuda com os sinais emocionais da menopausa, além de cuidar da base?
Cuidar da base ajuda e vale fazer, dormir melhor, fazer avaliação médica, se movimentar, reduzir o que dá para reduzir, e isso amplia a margem no dia a dia. Mas o que muda o quadro é entender, não só desabafar, que alivia e passa. Entender é descobrir por que esse choro veio agora, contra o que é essa raiva, o que exatamente está sendo perdido. O que ganha nome deixa de ser assombração.
Priscila Soares Falchi
Priscila Soares Falchi é Psicóloga Clínica (CRP 06/200925) e Psicanalista formada pelo instituto IBCP. Pós-graduada em Psicanálise Contemporânea pela PUC-RS, com especialização livre em Práticas Clínicas na Infância, e pós-graduanda em Terapia Cognitivo-Comportamental pela PUC-RS. Atende adultos, adolescentes e crianças em Santo André e também de forma online.
O coração dispara do nada e vem o medo de estar enlouquecendo. Entenda por que a crise de ansiedade aparece nessa fase e por que "é só hormônio" não explica.
As listas de sintomas param no calor e na insônia. Os sinais emocionais, que são os que mais assustam, quase nunca aparecem. Estes são eles, e o que há por trás.
Menopausa e psicanálise: um encontro transformador na segunda metade da vida.Quando os hormônios se despedem, a psique se revela: explorando os desafios e as potencialidades da menopausa na clínica psicanalítica
Menopausa: navegando pelas transformações emocionais da meia-idade. Além dos sintomas físicos: como a menopausa afeta a saúde mental das mulheres e o que a psicanálise tem a dizer sobre isso
Depois da menopausa a pergunta que aparece não é sobre o corpo: é sobre quem você é agora. Veja o que muda na identidade e o que ajuda a atravessar essa fase.
Para as mulheres na menopausa, a psicanálise oferece uma visão valiosa para propiciar uma forma efetiva de examinar e compreender as transformações que estão vivenciando
A segunda metade da vida: os desafios e as possibilidades da menopausa
A menopausa marca a entrada na segunda metade da vida, uma fase natural na vida feminina, marcando o término da capacidade reprodutiva e o início de uma nova etapa.
Além de ser um processo biológico, a menopausa também carrega consigo aspectos emocionais, sociais e existenciais significativos.
Nesse sentido, a psicanálise surge como uma abordagem valiosa para acolher e compreender as experiências das mulheres nessa fase da vida, proporcionando um espaço para reflexão e ressignificação.
A segunda metade da vida sob o ponto de vista psicanalítico
Analisando a menopausa como um momento de desafio e oportunidade do ponto de vista psicanalítico, é possível enxergá-la como uma crise psicológica em que as identidades e formas de satisfação pessoal são abaladas. Com a diminuição dos hormônios sexuais, muitas mulheres enfrentam sintomas físicos e emocionais intensos, como fogachos, dificuldades para dormir, irritabilidade e instabilidade emocional. Esses sintomas podem vir acompanhados de sentimento de perda, inadequação e baixa autoestima, especialmente em uma sociedade que valoriza a juventude e a produtividade.
A crise da segunda metade da vida como oportunidade de crescimento
Por outro lado, é possível considerar a crise da menopausa como uma oportunidade para crescimento pessoal e transformação. Ao confrontar as limitações do corpo e a finitude, já na segunda metade da vida, as mulheres são desafiadas a reavaliar suas escolhas, valores e aspirações.
É um momento oportuno para se despedir de funções e expectativas que já não são úteis, abrindo espaço para novas maneiras de viver e existir no mundo.
Isso costuma aparecer, na prática, como uma pergunta que a mulher nunca tinha se permitido fazer antes, para quem, ou para o quê, ela está vivendo? Enquanto o corpo e a rotina impunham um roteiro, a criação dos filhos, a carreira em ritmo acelerado, o cuidado com os outros, essa pergunta ficava em segundo plano. É justamente a crise, e o desconforto que ela traz, que abre espaço para essa pergunta aparecer.
A psicanálise junto às mulheres na segunda metade da vida
No contexto da psicanálise clínica, trabalhar com mulheres na menopausa significa acolher essas emoções contraditórias e auxiliá-las a elaborar os processos de luto e as perdas dessa fase.
Por meio da livre associação e da interpretação, o terapeuta pode ajudar a paciente a se conectar com seus desejos e fantasias inconscientes, dando novo significado à sua história e identidade para além dos padrões sociais.
Lidando com as transformações do corpo
Lidar com as transformações corporais e os impactos na sexualidade representa um dos principais desafios durante a menopausa. Com a diminuição dos níveis hormonais, muitas mulheres enfrentam sintomas como ressecamento vaginal, desconforto durante o ato sexual e redução da libido. Esses aspectos podem causar sentimentos de inadequação, rejeição e até mesmo depressão, especialmente em uma sociedade que associa a sexualidade feminina à juventude e à capacidade reprodutiva.
Uma paciente descreveu bem essa sensação, dizendo que se sentia "invisível", como se o corpo tivesse deixado de contar uma história que antes era ouvida. Nomear esse sentimento em voz alta, sem pressa de resolvê-lo, já começa a tirar dele uma parte do peso.
A visão da Psicanálise sobre a sexualidade das mulheres na menopausa
Na abordagem psicanalítica, a sexualidade é vista como uma experiência subjetiva complexa que ultrapassa questões puramente físicas ou reprodutivas. Ela é uma forma de expressão do desejo, criatividade e vitalidade psicológica.
Neste contexto, a terapia com mulheres durante a menopausa envolve auxiliá-las a reconsiderar sua conexão com o corpo e com o prazer, buscando novas maneiras de se satisfazer e se conhecer melhor.
Como lidar com a ansiedade
Por meio da escuta atenta, a paciente tem a oportunidade de explorar suas fantasias e ansiedades sexuais, frequentemente silenciadas ao longo dos anos. Ao expressar esses sentimentos, é viável trabalhar traumas e barreiras emocionais, liberando energia psíquica para vivenciar novas experiências e investimentos afetivos. A menopausa pode ser encarada como um período de reconciliação consigo mesma e com sua sexualidade, descobrindo prazeres e laços para além das normas sociais.
Isso não acontece de forma imediata. Costuma vir depois de várias sessões em que a vergonha inicial de falar sobre o próprio corpo e desejo vai perdendo espaço para uma curiosidade genuína sobre o que, afinal, dá prazer nessa nova fase.
Um exemplo comum, uma paciente relata que, depois de anos priorizando o desejo do parceiro ou uma imagem de disponibilidade sexual esperada dela, se vê livre, pela primeira vez, para descobrir o que de fato lhe dá prazer. A menopausa, nesse sentido, não fecha essa possibilidade, abre uma que muitas vezes nunca tinha sido explorada.
Reavaliando relações e enfrentando a solidão
Outro aspecto relevante da menopausa diz respeito à revisão das relações afetivas e familiares. Nessa etapa, muitas mulheres lidam com a saída dos filhos de casa, o envelhecimento dos pais e as mudanças na dinâmica conjugal. Esses acontecimentos podem despertar sentimentos de solidão, abandono e perda de propósito, levando a uma reflexão profunda sobre o papel da mulher na família e na sociedade.
Na sessão, é comum que essa solidão apareça primeiro como queixa, o filho que saiu de casa, o marido distante, e só depois, com o tempo, comece a se revelar também como espaço, um tempo que sobrou e que precisa ser preenchido por escolha, não pelo hábito herdado dos anos anteriores.
Na abordagem psicanalítica clínica, é frequente que mulheres em menopausa tragam questões relacionadas à sua identidade e aos papéis que desempenham na sociedade.
O trabalho terapêutico consiste em auxiliar as mulheres a lidar com as perdas dessa etapa, redefinindo seus relacionamentos e descobrindo novas maneiras de se sentir parte de algo e alcançar a realização. Através do processo de associação livre, a paciente tem a oportunidade de explorar suas fantasias e desejos inconscientes, frequentemente suprimidos pelas exigências da família e da sociedade.
Reconectando-se consigo mesma
A menopausa pode ser vista como um momento para reconectar-se com sua subjetividade, resgatando os sonhos e projetos que foram deixados para trás ao longo da vida. Ao enfrentar sentimentos de solidão e vazio existencial, a mulher é incentivada a se reinventar, buscando novas fontes de felicidade e realização pessoal. A análise pode ser um espaço valioso para essa jornada de autoconhecimento, oferecendo apoio e insights para construir uma nova narrativa sobre si mesma.
A menopausa representa uma experiência singular e transformadora na vida feminina, apresentando desafios e oportunidades para o crescimento emocional e existencial. Ao examinar essa fase sob uma perspectiva psicanalítica, podemos compreender melhor as complexidades da mente feminina e proporcionar um ambiente acolhedor para que as mulheres que passam por essa transição possam refletir sobre suas vivências.
Na prática clínica psicanalítica com mulheres na menopausa, o foco está em ajudá-las a elaborar seus sentimentos de perda nesse período crucial, reinterpretando sua relação com o corpo, sexualidade e laços afetivos.
Por meio da escuta atenta, é possível explorar os sonhos e desejos inconscientes, muitas vezes abafados ao longo da vida, criando espaço para novas maneiras de viver e se relacionar com o mundo.
Mais do que apenas uma fase de restrições e limitações, a menopausa pode ser encarada como um período de renovação e reinvenção, no qual a mulher redescobre sua essência e seus objetivos de vida. Ao embarcar nessa jornada de autoconhecimento, as mulheres podem perceber que a meia-idade não representa um fim, mas sim um recomeço repleto de oportunidades e descobertas.
Por que a menopausa pode ser vista como uma oportunidade de crescimento, e não só uma crise?
Ao confrontar as limitações do corpo e a finitude, nessa fase da vida, a mulher é desafiada a reavaliar suas escolhas, valores e aspirações. É um momento propício para se despedir de funções e expectativas que já não fazem sentido, abrindo espaço para novas formas de viver e existir no mundo. Encarada assim, a crise deixa de ser só perda e passa a ser também abertura.
As mudanças no corpo durante a menopausa afetam só a saúde física?
Não só. As transformações corporais, como o ressecamento vaginal e a redução da libido, podem causar sentimentos de inadequação e rejeição, especialmente numa sociedade que associa a sexualidade feminina à juventude e à capacidade reprodutiva. Esses sentimentos merecem espaço de escuta, não só tratamento médico dos sintomas físicos.
A menopausa pode trazer solidão, mesmo para quem tem família por perto?
Sim. É comum que essa solidão apareça primeiro como queixa, o filho que saiu de casa, o marido distante, e só depois, com o tempo, comece a se revelar também como espaço, um tempo que sobrou e que precisa ser preenchido por escolha, não pelo hábito herdado dos anos anteriores.
Como a análise ajuda com a ansiedade sexual na menopausa?
Através da escuta atenta, a paciente tem a oportunidade de explorar fantasias e ansiedades sexuais que muitas vezes ficaram silenciadas ao longo dos anos, e ao expressar esses sentimentos é possível trabalhar traumas e barreiras emocionais, liberando espaço para novas experiências e investimentos afetivos.
Priscila Soares Falchi
Priscila Soares Falchi é Psicóloga Clínica (CRP 06/200925) e Psicanalista formada pelo instituto IBCP. Pós-graduada em Psicanálise Contemporânea pela PUC-RS, com especialização livre em Práticas Clínicas na Infância, e pós-graduanda em Terapia Cognitivo-Comportamental pela PUC-RS. Atende adultos, adolescentes e crianças em Santo André e também de forma online.
O coração dispara do nada e vem o medo de estar enlouquecendo. Entenda por que a crise de ansiedade aparece nessa fase e por que "é só hormônio" não explica.
As listas de sintomas param no calor e na insônia. Os sinais emocionais, que são os que mais assustam, quase nunca aparecem. Estes são eles, e o que há por trás.
Menopausa e psicanálise: um encontro transformador na segunda metade da vida.Quando os hormônios se despedem, a psique se revela: explorando os desafios e as potencialidades da menopausa na clínica psicanalítica
Menopausa: navegando pelas transformações emocionais da meia-idade. Além dos sintomas físicos: como a menopausa afeta a saúde mental das mulheres e o que a psicanálise tem a dizer sobre isso
Depois da menopausa a pergunta que aparece não é sobre o corpo: é sobre quem você é agora. Veja o que muda na identidade e o que ajuda a atravessar essa fase.
Para as mulheres na menopausa, a psicanálise oferece uma visão valiosa para propiciar uma forma efetiva de examinar e compreender as transformações que estão vivenciando
As transformações emocionais da menopausa, além dos sintomas físicos
As transformações emocionais da menopausa, além dos sintomas físicos
A menopausa é um marco significativo na vida das mulheres, representando não apenas o fim do período reprodutivo, mas também uma série de transformações físicas, emocionais e sociais.
Embora os sintomas físicos, como ondas de calor, secura vaginal e alterações do sono, sejam amplamente discutidos, os impactos da menopausa na psiquê feminina ainda são pouco explorados.
Neste post, você vai mergulhar nas complexidades emocionais da meia-idade e entender como a psicanálise pode ajudar as mulheres a navegarem por essa fase desafiadora.
Índice
O luto do corpo jovem e a ressignificação da feminilidade
Um dos principais desafios psicológicos da menopausa é o luto do corpo jovem e da capacidade reprodutiva. Em uma sociedade que valoriza a juventude e a maternidade como atributos essenciais da feminilidade, o fim dos ciclos menstruais pode ser vivenciado como uma perda significativa, despertando sentimentos de inadequação, baixa autoestima e até mesmo depressão.
Isso aparece na sessão de um jeito muito concreto, uma paciente que sempre organizou a vida em torno do calendário menstrual, do planejamento familiar, da expectativa, própria ou alheia, de ainda poder engravidar, de repente se vê diante do fim dessa possibilidade, e o que dói é a identidade que se apoiava naquele corpo, não só o corpo que muda. Nomear esse luto, em vez de atravessá-lo em silêncio como se fosse só uma fase hormonal, já é o primeiro passo da elaboração.
Ressignificando a feminilidade
Nesse contexto, a psicanálise pode ajudar as mulheres a ressignificarem sua feminilidade para além dos estereótipos sociais, valorizando a sabedoria, a experiência e a liberdade que a maturidade pode trazer. Através da escuta analítica, é possível explorar as fantasias, medos e desejos inconscientes relacionados ao envelhecimento e à sexualidade, construindo novas narrativas sobre o que significa ser mulher em diferentes etapas da vida.
Atendi mulheres que, depois de anos organizando a vida em torno da aparência jovem, descobriram na menopausa uma liberdade inesperada, a de não precisar mais corresponder a um padrão que nunca foi só delas, mas herdado de fora.
A revisão dos papéis e relacionamentos
A menopausa também coincide com uma fase de revisão dos papéis e relacionamentos na vida das mulheres. Muitas vezes, é um período em que os filhos estão saindo de casa, os pais envelhecendo e a relação conjugal se transformando. Essas mudanças podem despertar questões existenciais profundas, como o propósito da vida, a satisfação com as escolhas feitas e o medo da solidão.
Um exemplo comum é o da mulher que passa a vida inteira organizada em torno do cuidado dos filhos e, quando eles saem de casa na mesma época em que os ciclos menstruais terminam, se depara com duas perdas simultâneas, o papel de mãe presente no dia a dia e a identidade ligada à fertilidade. É nesse acúmulo de perdas, e não em uma só, que costuma morar boa parte do peso emocional dessa fase.
A menopausa e a psicanálise
Na clínica psicanalítica, é comum que mulheres na menopausa tragam questões relacionadas à sua identidade e aos seus vínculos afetivos. O trabalho terapêutico pode ajudá-las a elaborar as perdas e os lutos dessa fase, bem como a se reconectar com seus desejos e projetos pessoais.
Pela associação livre e da interpretação, auxilio pacientes a identificar padrões relacionais e emocionais que precisam ser ressignificados, abrindo espaço para novas formas de se relacionar consigo mesma e com os outros.
O retorno do recalcado e a elaboração do feminino
Outro fenômeno comum na menopausa é o retorno de conteúdos psíquicos recalcados, especialmente aqueles relacionados à sexualidade e à identidade feminina. Com a diminuição dos hormônios sexuais, muitas mulheres relatam uma redução da libido e dificuldades de excitação e orgasmo. Esses sintomas podem ser vivenciados com grande sofrimento, despertando fantasias de inadequação e rejeição.
Elaboração psíquica por meio da psicanálise
No entanto, a psicanálise nos ensina que a sexualidade feminina vai muito além da genitalidade e da reprodução, estando ligada a questões complexas como o desejo, o amor e a criatividade. Na clínica, o analista pode ajudar a paciente a explorar suas fantasias e angústias sexuais, dando voz aos aspectos do feminino que foram silenciados ao longo da vida. Através da elaboração psíquica, é possível ressignificar a relação com o corpo e com o prazer, descobrindo novas formas de expressão da sexualidade na maturidade.
Na prática clínica, isso costuma aparecer como a queixa de já não reconhecer o próprio desejo, como se ele tivesse simplesmente desaparecido junto com os hormônios. Mas o que geralmente se descobre, ao longo do processo, é que o desejo não desapareceu, ele só deixou de caber nos moldes antigos e precisa ser procurado de um jeito novo, sem a pressa ou o roteiro que a vida reprodutiva impunha.
A menopausa como oportunidade de transformação
Apesar dos desafios, a menopausa também pode ser vivenciada como um momento de grande transformação e crescimento pessoal. Livre das preocupações com a contracepção e a maternidade, muitas mulheres relatam uma sensação de liberdade e autonomia, podendo se dedicar mais a si mesmas e a seus projetos de vida.
Uma paciente relatou ter voltado a pintar depois de décadas, algo que tinha deixado de lado quando os filhos nasceram. Foi o espaço que sobrou depois que outras urgências pararam de ocupar todo o tempo que permitiu esse retorno, mais do que a menopausa em si.
O propósito da psicanálise para a mulher na menopausa
Na perspectiva psicanalítica, a menopausa pode ser vista como um segundo processo de individuação, no qual a mulher tem a oportunidade de se reapropriar de sua história e de seus desejos. Através do trabalho terapêutico, é possível elaborar as feridas e os conflitos do passado, construindo uma narrativa mais integrada e autêntica de si mesma. Ao se desprender dos papéis e expectativas sociais, a mulher pode se reconectar com sua essência e criar formas de estar no mundo.
A menopausa é uma fase complexa e desafiadora na vida das mulheres, trazendo não apenas mudanças físicas, mas também profundas transformações emocionais e existenciais. Ao olhar para essa experiência através das lentes da psicanálise, podemos compreender melhor os impactos da menopausa na psiquê feminina e oferecer um espaço de acolhimento e elaboração para as mulheres que estão passando por essa transição.
Mais do que um período de perdas e limitações, a menopausa pode ser vivenciada como um momento de ressignificação da feminilidade, de revisão dos vínculos afetivos e de reencontro com os próprios desejos. Através do trabalho analítico, as mulheres podem se apropriar de sua história, elaborar os lutos e conflitos do passado e se abrir para novas possibilidades de ser e estar no mundo.
Nesse sentido, a psicanálise se apresenta como uma ferramenta valiosa para as mulheres na meia-idade, oferecendo um espaço de escuta e reflexão sobre as questões mais íntimas e profundas da existência. Ao se aventurar nessa jornada de autoconhecimento, as mulheres podem descobrir que a menopausa, mais do que um fim, é um novo começo, repleto de potencialidades e descobertas.
Vale dizer que nada disso acontece de uma vez. É um processo que se constrói aos poucos, na escuta, e não numa virada de chave depois de ler um texto sobre o assunto.
Não necessariamente. A psicanálise entende que a sexualidade feminina vai muito além da genitalidade e da reprodução, estando ligada a desejo, afeto e criatividade. Na clínica, é comum que a queda inicial da libido dê lugar, ao longo da elaboração, a novas formas de expressão do desejo e do prazer, sem o roteiro e a pressa que a vida reprodutiva impunha.
Por que a menopausa costuma trazer perdas que vão além do corpo?
Porque costuma coincidir com outras perdas simultâneas, como filhos que saem de casa ou uma revisão de papéis e relacionamentos, e é nesse acúmulo, não em uma perda isolada, que costuma morar boa parte do peso emocional dessa fase.
A psicanálise pode ajudar a ressignificar a feminilidade na menopausa?
Sim. A psicanálise pode ajudar as mulheres a ressignificarem sua feminilidade para além dos estereótipos sociais, valorizando a sabedoria, a experiência e a liberdade que a maturidade pode trazer, através da escuta analítica que explora fantasias, medos e desejos inconscientes ligados ao envelhecimento e à sexualidade.
Por que conteúdos psíquicos antigos podem retornar durante a menopausa?
Porque a menopausa costuma trazer de volta conteúdos psíquicos recalcados, especialmente ligados à sexualidade e à identidade feminina. Com a queda dos hormônios sexuais, muitas mulheres relatam mudanças na libido, e esses sintomas podem vir acompanhados de fantasias de inadequação e rejeição que remetem a conflitos bem mais antigos.
Priscila Soares Falchi
Priscila Soares Falchi é Psicóloga Clínica (CRP 06/200925) e Psicanalista formada pelo instituto IBCP. Pós-graduada em Psicanálise Contemporânea pela PUC-RS, com especialização livre em Práticas Clínicas na Infância, e pós-graduanda em Terapia Cognitivo-Comportamental pela PUC-RS. Atende adultos, adolescentes e crianças em Santo André e também de forma online.
O coração dispara do nada e vem o medo de estar enlouquecendo. Entenda por que a crise de ansiedade aparece nessa fase e por que "é só hormônio" não explica.
As listas de sintomas param no calor e na insônia. Os sinais emocionais, que são os que mais assustam, quase nunca aparecem. Estes são eles, e o que há por trás.
Menopausa e psicanálise: um encontro transformador na segunda metade da vida.Quando os hormônios se despedem, a psique se revela: explorando os desafios e as potencialidades da menopausa na clínica psicanalítica
Menopausa: navegando pelas transformações emocionais da meia-idade. Além dos sintomas físicos: como a menopausa afeta a saúde mental das mulheres e o que a psicanálise tem a dizer sobre isso
Depois da menopausa a pergunta que aparece não é sobre o corpo: é sobre quem você é agora. Veja o que muda na identidade e o que ajuda a atravessar essa fase.
Para as mulheres na menopausa, a psicanálise oferece uma visão valiosa para propiciar uma forma efetiva de examinar e compreender as transformações que estão vivenciando
Muita mulher chega ao consultório dizendo que não se reconhece mais. Não é sobre o corpo, ou não é só sobre o corpo. É a sensação de que a vida depois da menopausa será uma versão menor da que veio antes, e de que ninguém avisou isso.
Essa sensação tem explicação, e ela não é hormonal. A nossa cultura organiza o valor da mulher em torno de duas funções, a de ser desejada e a de cuidar dos outros. Quando as duas mudam de lugar ao mesmo tempo, sobra uma pergunta desconfortável. Quem eu sou agora?
É uma pergunta boa, ainda que incômoda. Reuni aqui o que costuma aparecer nessa fase e o que ajuda a atravessá-la.
Índice
A vida depois da menopausa não é uma versão menor
A primeira coisa que costuma ser dita nessa fase, e que faz muito mal, é que agora é hora de desacelerar. Vem de um lugar bem-intencionado e chega como sentença.
A vida depois da menopausa não é encerramento de ciclo. É o fim de um arranjo específico, o da mulher organizada em torno da possibilidade de engravidar e da rotina de criar filhos pequenos. Esse arranjo ocupou décadas e, quando sai de cena, deixa espaço. Espaço assusta antes de virar possibilidade.
Na psicanálise, a identidade não é uma coisa fixa que a pessoa carrega. Ela se sustenta em identificações, papéis e lugares que a gente ocupa nas relações. Mãe de criança pequena. Profissional em ascensão. Filha de alguém que ainda está por perto.
Depois da menopausa, muitos desses lugares se transformam ao mesmo tempo, e às vezes em poucos anos. Os filhos crescem, os pais adoecem ou morrem, a carreira chega num platô. Não é um evento, são vários, e é por isso que a sensação é de chão saindo de baixo.
Quando isso acontece, a pergunta sobre quem se é deixa de ser filosófica e vira concreta. É a pergunta central da vida depois da menopausa. É comum a mulher perceber que nunca precisou responder isso antes, porque os papéis respondiam por ela.
6 perguntas que aparecem depois da menopausa
Estas são as que mais escuto, quase sempre ditas com pedido de desculpa antes:
Se eu não sou mais a mãe de quem precisa de mim o tempo todo, eu sou o quê?
Ainda posso querer alguém, ou querer alguém agora é ridículo?
Vale a pena começar algo novo nessa altura, ou já passou da hora?
Por que estou com raiva de coisas que eu antes engolia sem pensar?
Se eu mudar agora, o que acontece com o casamento que foi construído sobre a versão anterior de mim?
Isso que estou sentindo é a fase passando, ou é depressão?
Repare que quase nenhuma delas é sobre calor ou sono. As perguntas que ocupam a vida depois da menopausa são sobre lugar, desejo e permissão.
Quando o ninho esvazia na mesma época
A coincidência de datas é cruel, e explica boa parte do peso dos primeiros anos depois da menopausa. Não é raro os filhos saírem de casa exatamente nos anos em que o corpo muda, e aí duas perdas chegam juntas sem que nenhuma delas seja nomeada como perda.
Muita mulher se sente culpada por sentir alívio, ou culpada por sentir tristeza, e às vezes pelas duas ao mesmo tempo no mesmo dia. As duas coisas cabem. A saída da casa dos filhos devolve tempo, e tempo devolvido é ótimo e assustador.
O que costuma aparecer nesse momento é a percepção de que o casal ficou sozinho e não sabe mais conversar sobre outra coisa que não seja logística. Isso não significa que o casamento acabou. Significa que ele precisa de assunto novo, e assunto novo é exatamente o que a vida depois da menopausa oferece, se houver espaço para procurá-lo.
O corpo, e a diferença entre envelhecer e sumir
Existe uma confusão que aparece muito e vale desfazer. Envelhecer é um processo, e ser socialmente apagada é outra coisa, que acontece de fora para dentro.
Boa parte do mal-estar com o corpo depois da menopausa não vem do corpo em si. Vem de perceber que as pessoas passaram a olhar menos, que o vendedor atende primeiro a moça ao lado, que a piada na mesa não é mais com você. Isso dói e é real, e não se resolve com creme.
O que a análise pode fazer aqui é ajudar a separar o que você sente do que te disseram que você deveria sentir. Tem mulher que descobre, nesse processo, que nunca gostou de ser olhada daquele jeito e que o alívio é maior que a perda. E tem mulher que descobre o contrário, e aí o luto é legítimo e precisa de espaço.
A relação com o corpo depois da menopausa costuma melhorar quando ele deixa de ser vitrine e volta a ser lugar onde se mora.
O trabalho, e a vontade de mudar de rumo
Aos quarenta e muitos, cinquenta, é comum aparecer uma inquietação com o trabalho que não existia antes. Não é crise, e quase nunca é impulso.
O que costuma acontecer é que a pessoa escolheu uma carreira aos vinte anos, por razões que faziam sentido naquele momento e que muitas vezes eram de outra pessoa. Depois vieram as contas, os filhos, a estabilidade, e não houve espaço para revisar aquela escolha. A vida depois da menopausa devolve esse espaço, e o que aparece nele às vezes assusta.
Vale ouvir essa inquietação sem obedecer imediatamente a ela. Nem toda vontade de mudar precisa virar demissão. Muitas vezes o que está pedindo passagem é um interesse antigo que cabe fora do expediente, e que muda o humor da semana inteira quando ganha algumas horas.
O que a análise faz com isso
A análise não devolve a juventude, e prometer isso seria desonesto. O que ela faz é separar o que é seu do que foi combinado por outras pessoas ao longo do caminho, e isso é mais útil.
Muito do que parece perda nessa fase é, quando se olha de perto, o fim de uma obrigação que nunca foi escolhida. Escutar isso muda o tamanho do luto. E o que sobra depois dessa separação costuma ser um desejo antigo, guardado quando não havia tempo para ele.
É um trabalho lento e não tem fórmula. Mas o resultado que mais vejo é uma mulher que para de pedir desculpa por querer coisas.
Quando o desânimo é mais do que transição
Nem tudo o que aparece depois da menopausa é transição, e é importante não romantizar. Se o desânimo dura mais de duas semanas seguidas, se você perdeu o interesse por coisas que sempre gostou, se o sono e o apetite mudaram muito, ou se aparece a ideia de não querer mais estar aqui, isso pede avaliação profissional e não paciência.
Nesses casos vale procurar tanto o ginecologista quanto um profissional de saúde mental. Se aparecer o pensamento de não querer mais estar aqui, procure ajuda no mesmo dia. O CVV atende 24 horas pelo telefone 188, é gratuito e sigiloso.
Se você quiser um espaço para responder à pergunta de quem você é agora, agende uma primeira conversa. Atendo online para todo o Brasil.
Isso que estou sentindo depois da menopausa é a fase passando, ou é depressão?
Nem tudo que aparece depois da menopausa é transição, e não convém romantizar. Se o desânimo dura mais de duas semanas seguidas, se você perdeu o interesse por coisas que sempre gostou, se o sono e o apetite mudaram muito, ou se aparece a ideia de não querer mais estar aqui, isso pede avaliação profissional e não paciência. Vale procurar tanto o ginecologista quanto um profissional de saúde mental.
Por que o ninho vazio e a menopausa costumam chegar juntos?
A coincidência de datas é cruel, e explica boa parte do peso dos primeiros anos depois da menopausa. Não é raro os filhos saírem de casa exatamente nos anos em que o corpo muda, e aí duas perdas chegam juntas sem que nenhuma delas seja nomeada como perda.
Envelhecer e ser socialmente apagada são a mesma coisa?
Não. Envelhecer é um processo, e ser socialmente apagada é outra coisa, que acontece de fora para dentro. Existe uma confusão comum entre as duas que vale desfazer.
Por que surge vontade de mudar de carreira depois da menopausa?
Aos quarenta e muitos, cinquenta, é comum aparecer uma inquietação com o trabalho que não existia antes, e isso não é crise nem impulso. O que costuma acontecer é que a pessoa escolheu uma carreira aos vinte anos, por razões que faziam sentido naquele momento e que muitas vezes eram de outra pessoa. Depois vieram as contas, os filhos, a estabilidade, e não houve espaço para revisar aquela escolha. A vida depois da menopausa devolve esse espaço, e o que aparece nele às vezes assusta.
Priscila Soares Falchi
Priscila Soares Falchi é Psicóloga Clínica (CRP 06/200925) e Psicanalista formada pelo instituto IBCP. Pós-graduada em Psicanálise Contemporânea pela PUC-RS, com especialização livre em Práticas Clínicas na Infância, e pós-graduanda em Terapia Cognitivo-Comportamental pela PUC-RS. Atende adultos, adolescentes e crianças em Santo André e também de forma online.
O coração dispara do nada e vem o medo de estar enlouquecendo. Entenda por que a crise de ansiedade aparece nessa fase e por que "é só hormônio" não explica.
As listas de sintomas param no calor e na insônia. Os sinais emocionais, que são os que mais assustam, quase nunca aparecem. Estes são eles, e o que há por trás.
Menopausa e psicanálise: um encontro transformador na segunda metade da vida.Quando os hormônios se despedem, a psique se revela: explorando os desafios e as potencialidades da menopausa na clínica psicanalítica
Menopausa: navegando pelas transformações emocionais da meia-idade. Além dos sintomas físicos: como a menopausa afeta a saúde mental das mulheres e o que a psicanálise tem a dizer sobre isso
Depois da menopausa a pergunta que aparece não é sobre o corpo: é sobre quem você é agora. Veja o que muda na identidade e o que ajuda a atravessar essa fase.
Para as mulheres na menopausa, a psicanálise oferece uma visão valiosa para propiciar uma forma efetiva de examinar e compreender as transformações que estão vivenciando
A psicanálise é uma abordagem psicoterapêutica fundada por Sigmund Freud no final do século XIX, que se dedica ao entendimento profundo da psique humana. Ela explora pensamentos, sentimentos, emoções e como as questões inconscientes influenciam o nosso bem-estar. Utiliza a associação livre de ideias e sonhos na compreensão sobre como se dão as relações interpessoais, as atitudes e processos internos na vida da pessoa.
Embora Freud, o pai da psicanálise, não tenha abordado diretamente a temática da menopausa em seu trabalho, sua contribuição quanto ao desenvolvimento psicossexual serve como base até hoje para compreender as questões psicológicas que se fazem presentes em todas as fases da vida, inclusive na menopausa.
Essa abordagem parte da ideia de que eventos e conflitos vividos no passado, durante a infância, por exemplo, podem influenciar nos relacionamentos interpessoais e na maneira como a pessoa exerga o mundo a si mesma. Assim como, os relacionamentos interpessoais e outros aspectos presentes no momento atual, em forma de inseguranças, medos ou outros sentimentos que causem sofrimento psíquico.
Índice
O que a psicanálise oferece para mulheres na menopausa
Para as mulheres na menopausa, a psicanálise oferece uma visão valiosa para propiciar uma forma efetiva de examinar e compreender as transformações que estão vivenciando nessa fase tão importante de suas vidas. Esta fase pode despertar questionamentos sobre sua identidade, autoestima, sexualidade e propósito, entre outros temas presentes no seu inconsciente.
Uma pergunta que costuma aparecer nesse momento é quem eu sou quando as funções que ocupavam esse lugar até aqui, mãe de filho pequeno, cuidadora, corpo fértil, deixam de organizar minha rotina do mesmo jeito? É uma pergunta que se investiga aos poucos, não que se responde de uma vez, e é justamente esse investigar que a análise sustenta.
Não é preciso esperar um sintoma grave para começar. Muitas mulheres procuram esse espaço só porque sentem que algo mudou e ainda não sabem nomear o quê, e isso já é razão suficiente.
Estar atenta a essas mudanças, em vez de simplesmente esperar que elas passem sozinhas, costuma abrir mais espaço de vida do que se imagina no começo.
Muitas mulheres na menopausa enfrentam mudanças na percepção de si mesmas, provocadas tanto por alterações físicas desencadeadas pela drástica mudança hormonal, quanto pela transição para uma nova etapa da vida.
A psicanálise ajuda na exploração dos impactos dessas mudanças e em como afetam a identidade e a autoestima, encorajando um diálogo interno que pode revelar novas maneiras de autoaceitação e amor próprio.
Muitas questões podem ser levantadas nessa fase, mas as mais comuns estão relacionadas à sexualidade, relacionamentos interpessoais e o envelhecimento.
1. A sexualidadefeminina na menopausa
As alterações hormonais típicas do processo da menopausa podem causar um impacto significativo na vida sexual da mulher, sendo este um aspecto que a psicanálise consegue abordar com sensibilidade e de maneira profunda. Isso devido ao fato de investigar os sentimentos e questões inconscientes que a mulher pode carregar acerca da sexualidade, ajudando-na a redescobrir sua vida sexual de maneira adaptada à sua nova realidade.
A psicanálise, portanto, reconhece a importância das mudanças biológicas inerentes à menopausa, mas busca contextualizá-las dentro de uma visão mais ampla da sexualidade feminina.
Um exemplo comum na clínica envolve uma paciente que associa o desejo sexual exclusivamente à juventude e à fertilidade, e que se sente, na menopausa, como se essa parte dela tivesse simplesmente acabado. O trabalho analítico ajuda a separar essas duas coisas, o desejo não depende da capacidade reprodutiva, e a descobrir uma sexualidade que não estava disponível antes, justamente porque não precisa mais responder a essa expectativa.
A terapia ajuda na exploração dessas alterações físicas quanto à maneira como interagem com a psique, influenciando na forma como a mulher se percebe e se relaciona com sua sexualidade.
2 Relacionamentos interpessoais e Intimidade
As transformações pessoais das mulheres na menopausa também podem repercutir nas relações íntimas e familiares. A psicanálise proporciona um espaço seguro para explorar essas questões, promovendo um entendimento mais profundo das necessidades e desejos individuais, e como estes se manifestam nas interações pessoais e vivências com os outros.
É comum, por exemplo, que uma mulher perceba que passou anos priorizando as necessidades de todo mundo em casa antes das próprias, e que a menopausa, com suas próprias exigências de atenção, seja o que finalmente força essa conta a aparecer. Isso costuma tensionar relações que pareciam estáveis, não porque elas pioraram, mas porque uma delas parou de aceitar o acordo antigo em silêncio.
3. Enfrentamento o Envelhecimento
A menopausa frequentemente se apresenta como um momento de reflexão sobre o envelhecimento. Dessa forma, a psicanálise permite um mergulho profundo nessas reflexões, ajudando a mulher a enfrentar e aceitar o processo de envelhecimento de maneira saudável e natural.
Isso costuma passar por uma revisão de expectativas que a própria mulher nunca colocou em palavras, a ideia de que valor e atratividade estariam ligados a uma determinada aparência ou idade. Nomear essa crença, que geralmente foi absorvida e nunca questionada, já tira boa parte do peso que ela carrega.
Ao se engajar na psicanálise, as mulheres na menopausa não apenas ganham meios valiosos para enfrentar sobre seus desafios atuais, mas também adquirem ferramentas para viver essa fase de forma mais plena e significativa.
A psicanálise se apresenta, portanto, como um caminho poderoso para a autodescoberta e o bem-estar durante a menopausa, oferecendo um suporte inestimável na jornada para o autoconhecimento e a realização pessoal.
Com isso, ajuda a entender e navegar pelas complexidades da sexualidade feminina na menopausa. Ao abordar tanto as dimensões físicas quanto psicológicas, a terapia psicanalítica pode fornecer um olhas valioso e apoio para mulheres que buscam manter ou redescobrir sua vida sexual e afetiva durante de maneira plena e natural.
As sessões de psicanálise em geral acontecem de forma semanal com duração de até 50 minutos. Os horários são agendados de maneira prévia e acontecem sempre no dia e hora marcados.
Cada psicanalista atua de acordo com sua própria clínica. No meu caso, trabalho com tratamento contínuo, renovado mensalmente.
As sessões são online e acontecem por meio de vídeochamada, com a utilização de ferramentas e plataformas reconhecidas e seguras. Com isso, é possível fazer análise em qualquer lugar do mundo, com conforto e comodidade.
Tudo que é dito durante a sessão é mantido sob absoluto sigilo.
Nas primeiras sessões, não existe roteiro fixo nem lista de perguntas a responder. A paciente fala livremente sobre o que estiver ocupando sua mente naquele momento, e é dessa fala, ao longo do tempo, que os padrões e as questões que realmente importam vão aparecendo, muitas vezes de um jeito que a própria pessoa não esperava.
Se você deseja agendar uma entrevista ou esclarecer qualquer dúvida, acesse o botão abaixo e envie seu contato.
As sessões acontecem em geral de forma semanal, com duração de até 50 minutos, em horário agendado previamente e fixo. Cada psicanalista organiza a própria clínica, no meu caso, trabalho com tratamento contínuo, renovado mensalmente, e as sessões são online, por vídeochamada, com plataformas seguras, o que permite fazer a análise de qualquer lugar do mundo.
Por que a menopausa pode desestabilizar relações que pareciam estáveis?
É comum que uma mulher perceba que passou anos priorizando as necessidades de todo mundo em casa antes das próprias, e que a menopausa, com suas próprias exigências de atenção, seja o que finalmente força essa conta a aparecer. Isso costuma tensionar relações que pareciam estáveis, não porque elas pioraram, mas porque uma delas parou de aceitar o acordo antigo em silêncio. A psicanálise proporciona um espaço seguro para explorar essas questões, promovendo um entendimento mais profundo das necessidades e desejos individuais.
Como a psicanálise ajuda a separar desejo sexual de juventude e fertilidade na menopausa?
Um exemplo comum na clínica envolve uma paciente que associa o desejo sexual exclusivamente à juventude e à fertilidade, e que se sente, na menopausa, como se essa parte dela tivesse simplesmente acabado. O trabalho analítico ajuda a separar essas duas coisas, o desejo não depende da capacidade reprodutiva, e a descobrir uma sexualidade que não estava disponível antes, justamente porque não precisa mais responder a essa expectativa.
É preciso esperar um sintoma grave para procurar a psicanálise na menopausa?
Não. Muitas mulheres procuram esse espaço só porque sentem que algo mudou e ainda não sabem nomear o quê, e isso já é razão suficiente. Estar atenta a essas mudanças, em vez de simplesmente esperar que elas passem sozinhas, costuma abrir mais espaço de vida do que se imagina no começo.
Priscila Soares Falchi
Priscila Soares Falchi é Psicóloga Clínica (CRP 06/200925) e Psicanalista formada pelo instituto IBCP. Pós-graduada em Psicanálise Contemporânea pela PUC-RS, com especialização livre em Práticas Clínicas na Infância, e pós-graduanda em Terapia Cognitivo-Comportamental pela PUC-RS. Atende adultos, adolescentes e crianças em Santo André e também de forma online.
O coração dispara do nada e vem o medo de estar enlouquecendo. Entenda por que a crise de ansiedade aparece nessa fase e por que "é só hormônio" não explica.
As listas de sintomas param no calor e na insônia. Os sinais emocionais, que são os que mais assustam, quase nunca aparecem. Estes são eles, e o que há por trás.
Menopausa e psicanálise: um encontro transformador na segunda metade da vida.Quando os hormônios se despedem, a psique se revela: explorando os desafios e as potencialidades da menopausa na clínica psicanalítica
Menopausa: navegando pelas transformações emocionais da meia-idade. Além dos sintomas físicos: como a menopausa afeta a saúde mental das mulheres e o que a psicanálise tem a dizer sobre isso
Depois da menopausa a pergunta que aparece não é sobre o corpo: é sobre quem você é agora. Veja o que muda na identidade e o que ajuda a atravessar essa fase.
Para as mulheres na menopausa, a psicanálise oferece uma visão valiosa para propiciar uma forma efetiva de examinar e compreender as transformações que estão vivenciando