A segunda metade da vida: os desafios e as possibilidades da menopausa
A menopausa marca a entrada na segunda metade da vida, uma fase natural na vida feminina, marcando o término da capacidade reprodutiva e o início de uma nova etapa.
Além de ser um processo biológico, a menopausa também carrega consigo aspectos emocionais, sociais e existenciais significativos.
Nesse sentido, a psicanálise surge como uma abordagem valiosa para acolher e compreender as experiências das mulheres nessa fase da vida, proporcionando um espaço para reflexão e ressignificação.
A segunda metade da vida sob o ponto de vista psicanalítico
Analisando a menopausa como um momento de desafio e oportunidade do ponto de vista psicanalítico, é possível enxergá-la como uma crise psicológica em que as identidades e formas de satisfação pessoal são abaladas. Com a diminuição dos hormônios sexuais, muitas mulheres enfrentam sintomas físicos e emocionais intensos, como fogachos, dificuldades para dormir, irritabilidade e instabilidade emocional. Esses sintomas podem vir acompanhados de sentimento de perda, inadequação e baixa autoestima, especialmente em uma sociedade que valoriza a juventude e a produtividade.
A crise da segunda metade da vida como oportunidade de crescimento
Por outro lado, é possível considerar a crise da menopausa como uma oportunidade para crescimento pessoal e transformação. Ao confrontar as limitações do corpo e a finitude, já na segunda metade da vida, as mulheres são desafiadas a reavaliar suas escolhas, valores e aspirações.
É um momento oportuno para se despedir de funções e expectativas que já não são úteis, abrindo espaço para novas maneiras de viver e existir no mundo.
Isso costuma aparecer, na prática, como uma pergunta que a mulher nunca tinha se permitido fazer antes, para quem, ou para o quê, ela está vivendo? Enquanto o corpo e a rotina impunham um roteiro, a criação dos filhos, a carreira em ritmo acelerado, o cuidado com os outros, essa pergunta ficava em segundo plano. É justamente a crise, e o desconforto que ela traz, que abre espaço para essa pergunta aparecer.
A psicanálise junto às mulheres na segunda metade da vida
No contexto da psicanálise clínica, trabalhar com mulheres na menopausa significa acolher essas emoções contraditórias e auxiliá-las a elaborar os processos de luto e as perdas dessa fase.
Por meio da livre associação e da interpretação, o terapeuta pode ajudar a paciente a se conectar com seus desejos e fantasias inconscientes, dando novo significado à sua história e identidade para além dos padrões sociais.
Lidando com as transformações do corpo
Lidar com as transformações corporais e os impactos na sexualidade representa um dos principais desafios durante a menopausa. Com a diminuição dos níveis hormonais, muitas mulheres enfrentam sintomas como ressecamento vaginal, desconforto durante o ato sexual e redução da libido. Esses aspectos podem causar sentimentos de inadequação, rejeição e até mesmo depressão, especialmente em uma sociedade que associa a sexualidade feminina à juventude e à capacidade reprodutiva.
Uma paciente descreveu bem essa sensação, dizendo que se sentia "invisível", como se o corpo tivesse deixado de contar uma história que antes era ouvida. Nomear esse sentimento em voz alta, sem pressa de resolvê-lo, já começa a tirar dele uma parte do peso.
A visão da Psicanálise sobre a sexualidade das mulheres na menopausa
Na abordagem psicanalítica, a sexualidade é vista como uma experiência subjetiva complexa que ultrapassa questões puramente físicas ou reprodutivas. Ela é uma forma de expressão do desejo, criatividade e vitalidade psicológica.
Neste contexto, a terapia com mulheres durante a menopausa envolve auxiliá-las a reconsiderar sua conexão com o corpo e com o prazer, buscando novas maneiras de se satisfazer e se conhecer melhor.
Como lidar com a ansiedade
Por meio da escuta atenta, a paciente tem a oportunidade de explorar suas fantasias e ansiedades sexuais, frequentemente silenciadas ao longo dos anos. Ao expressar esses sentimentos, é viável trabalhar traumas e barreiras emocionais, liberando energia psíquica para vivenciar novas experiências e investimentos afetivos. A menopausa pode ser encarada como um período de reconciliação consigo mesma e com sua sexualidade, descobrindo prazeres e laços para além das normas sociais.
Isso não acontece de forma imediata. Costuma vir depois de várias sessões em que a vergonha inicial de falar sobre o próprio corpo e desejo vai perdendo espaço para uma curiosidade genuína sobre o que, afinal, dá prazer nessa nova fase.
Um exemplo comum, uma paciente relata que, depois de anos priorizando o desejo do parceiro ou uma imagem de disponibilidade sexual esperada dela, se vê livre, pela primeira vez, para descobrir o que de fato lhe dá prazer. A menopausa, nesse sentido, não fecha essa possibilidade, abre uma que muitas vezes nunca tinha sido explorada.
Reavaliando relações e enfrentando a solidão
Outro aspecto relevante da menopausa diz respeito à revisão das relações afetivas e familiares. Nessa etapa, muitas mulheres lidam com a saída dos filhos de casa, o envelhecimento dos pais e as mudanças na dinâmica conjugal. Esses acontecimentos podem despertar sentimentos de solidão, abandono e perda de propósito, levando a uma reflexão profunda sobre o papel da mulher na família e na sociedade.
Na sessão, é comum que essa solidão apareça primeiro como queixa, o filho que saiu de casa, o marido distante, e só depois, com o tempo, comece a se revelar também como espaço, um tempo que sobrou e que precisa ser preenchido por escolha, não pelo hábito herdado dos anos anteriores.
Na abordagem psicanalítica clínica, é frequente que mulheres em menopausa tragam questões relacionadas à sua identidade e aos papéis que desempenham na sociedade.
O trabalho terapêutico consiste em auxiliar as mulheres a lidar com as perdas dessa etapa, redefinindo seus relacionamentos e descobrindo novas maneiras de se sentir parte de algo e alcançar a realização. Através do processo de associação livre, a paciente tem a oportunidade de explorar suas fantasias e desejos inconscientes, frequentemente suprimidos pelas exigências da família e da sociedade.
Reconectando-se consigo mesma
A menopausa pode ser vista como um momento para reconectar-se com sua subjetividade, resgatando os sonhos e projetos que foram deixados para trás ao longo da vida. Ao enfrentar sentimentos de solidão e vazio existencial, a mulher é incentivada a se reinventar, buscando novas fontes de felicidade e realização pessoal. A análise pode ser um espaço valioso para essa jornada de autoconhecimento, oferecendo apoio e insights para construir uma nova narrativa sobre si mesma.
A menopausa representa uma experiência singular e transformadora na vida feminina, apresentando desafios e oportunidades para o crescimento emocional e existencial. Ao examinar essa fase sob uma perspectiva psicanalítica, podemos compreender melhor as complexidades da mente feminina e proporcionar um ambiente acolhedor para que as mulheres que passam por essa transição possam refletir sobre suas vivências.
Na prática clínica psicanalítica com mulheres na menopausa, o foco está em ajudá-las a elaborar seus sentimentos de perda nesse período crucial, reinterpretando sua relação com o corpo, sexualidade e laços afetivos.
Por meio da escuta atenta, é possível explorar os sonhos e desejos inconscientes, muitas vezes abafados ao longo da vida, criando espaço para novas maneiras de viver e se relacionar com o mundo.
Mais do que apenas uma fase de restrições e limitações, a menopausa pode ser encarada como um período de renovação e reinvenção, no qual a mulher redescobre sua essência e seus objetivos de vida. Ao embarcar nessa jornada de autoconhecimento, as mulheres podem perceber que a meia-idade não representa um fim, mas sim um recomeço repleto de oportunidades e descobertas.
Por que a menopausa pode ser vista como uma oportunidade de crescimento, e não só uma crise?
Ao confrontar as limitações do corpo e a finitude, nessa fase da vida, a mulher é desafiada a reavaliar suas escolhas, valores e aspirações. É um momento propício para se despedir de funções e expectativas que já não fazem sentido, abrindo espaço para novas formas de viver e existir no mundo. Encarada assim, a crise deixa de ser só perda e passa a ser também abertura.
As mudanças no corpo durante a menopausa afetam só a saúde física?
Não só. As transformações corporais, como o ressecamento vaginal e a redução da libido, podem causar sentimentos de inadequação e rejeição, especialmente numa sociedade que associa a sexualidade feminina à juventude e à capacidade reprodutiva. Esses sentimentos merecem espaço de escuta, não só tratamento médico dos sintomas físicos.
A menopausa pode trazer solidão, mesmo para quem tem família por perto?
Sim. É comum que essa solidão apareça primeiro como queixa, o filho que saiu de casa, o marido distante, e só depois, com o tempo, comece a se revelar também como espaço, um tempo que sobrou e que precisa ser preenchido por escolha, não pelo hábito herdado dos anos anteriores.
Como a análise ajuda com a ansiedade sexual na menopausa?
Através da escuta atenta, a paciente tem a oportunidade de explorar fantasias e ansiedades sexuais que muitas vezes ficaram silenciadas ao longo dos anos, e ao expressar esses sentimentos é possível trabalhar traumas e barreiras emocionais, liberando espaço para novas experiências e investimentos afetivos.
Priscila Soares Falchi
Priscila Soares Falchi é Psicóloga Clínica (CRP 06/200925) e Psicanalista formada pelo instituto IBCP. Pós-graduada em Psicanálise Contemporânea pela PUC-RS, com especialização livre em Práticas Clínicas na Infância, e pós-graduanda em Terapia Cognitivo-Comportamental pela PUC-RS. Atende adultos, adolescentes e crianças em Santo André e também de forma online.
Menopausa e psicanálise: um encontro transformador na segunda metade da vida.Quando os hormônios se despedem, a psique se revela: explorando os desafios e as potencialidades da menopausa na clínica psicanalítica
Menopausa: navegando pelas transformações emocionais da meia-idade. Além dos sintomas físicos: como a menopausa afeta a saúde mental das mulheres e o que a psicanálise tem a dizer sobre isso
Depois da menopausa a pergunta que aparece não é sobre o corpo: é sobre quem você é agora. Veja o que muda na identidade e o que ajuda a atravessar essa fase.
Para as mulheres na menopausa, a psicanálise oferece uma visão valiosa para propiciar uma forma efetiva de examinar e compreender as transformações que estão vivenciando
As transformações emocionais da menopausa, além dos sintomas físicos
As transformações emocionais da menopausa, além dos sintomas físicos
A menopausa é um marco significativo na vida das mulheres, representando não apenas o fim do período reprodutivo, mas também uma série de transformações físicas, emocionais e sociais.
Embora os sintomas físicos, como ondas de calor, secura vaginal e alterações do sono, sejam amplamente discutidos, os impactos da menopausa na psiquê feminina ainda são pouco explorados.
Neste post, você vai mergulhar nas complexidades emocionais da meia-idade e entender como a psicanálise pode ajudar as mulheres a navegarem por essa fase desafiadora.
Índice
O luto do corpo jovem e a ressignificação da feminilidade
Um dos principais desafios psicológicos da menopausa é o luto do corpo jovem e da capacidade reprodutiva. Em uma sociedade que valoriza a juventude e a maternidade como atributos essenciais da feminilidade, o fim dos ciclos menstruais pode ser vivenciado como uma perda significativa, despertando sentimentos de inadequação, baixa autoestima e até mesmo depressão.
Isso aparece na sessão de um jeito muito concreto, uma paciente que sempre organizou a vida em torno do calendário menstrual, do planejamento familiar, da expectativa, própria ou alheia, de ainda poder engravidar, de repente se vê diante do fim dessa possibilidade, e o que dói é a identidade que se apoiava naquele corpo, não só o corpo que muda. Nomear esse luto, em vez de atravessá-lo em silêncio como se fosse só uma fase hormonal, já é o primeiro passo da elaboração.
Ressignificando a feminilidade
Nesse contexto, a psicanálise pode ajudar as mulheres a ressignificarem sua feminilidade para além dos estereótipos sociais, valorizando a sabedoria, a experiência e a liberdade que a maturidade pode trazer. Através da escuta analítica, é possível explorar as fantasias, medos e desejos inconscientes relacionados ao envelhecimento e à sexualidade, construindo novas narrativas sobre o que significa ser mulher em diferentes etapas da vida.
Atendi mulheres que, depois de anos organizando a vida em torno da aparência jovem, descobriram na menopausa uma liberdade inesperada, a de não precisar mais corresponder a um padrão que nunca foi só delas, mas herdado de fora.
A revisão dos papéis e relacionamentos
A menopausa também coincide com uma fase de revisão dos papéis e relacionamentos na vida das mulheres. Muitas vezes, é um período em que os filhos estão saindo de casa, os pais envelhecendo e a relação conjugal se transformando. Essas mudanças podem despertar questões existenciais profundas, como o propósito da vida, a satisfação com as escolhas feitas e o medo da solidão.
Um exemplo comum é o da mulher que passa a vida inteira organizada em torno do cuidado dos filhos e, quando eles saem de casa na mesma época em que os ciclos menstruais terminam, se depara com duas perdas simultâneas, o papel de mãe presente no dia a dia e a identidade ligada à fertilidade. É nesse acúmulo de perdas, e não em uma só, que costuma morar boa parte do peso emocional dessa fase.
A menopausa e a psicanálise
Na clínica psicanalítica, é comum que mulheres na menopausa tragam questões relacionadas à sua identidade e aos seus vínculos afetivos. O trabalho terapêutico pode ajudá-las a elaborar as perdas e os lutos dessa fase, bem como a se reconectar com seus desejos e projetos pessoais.
Pela associação livre e da interpretação, auxilio pacientes a identificar padrões relacionais e emocionais que precisam ser ressignificados, abrindo espaço para novas formas de se relacionar consigo mesma e com os outros.
O retorno do recalcado e a elaboração do feminino
Outro fenômeno comum na menopausa é o retorno de conteúdos psíquicos recalcados, especialmente aqueles relacionados à sexualidade e à identidade feminina. Com a diminuição dos hormônios sexuais, muitas mulheres relatam uma redução da libido e dificuldades de excitação e orgasmo. Esses sintomas podem ser vivenciados com grande sofrimento, despertando fantasias de inadequação e rejeição.
Elaboração psíquica por meio da psicanálise
No entanto, a psicanálise nos ensina que a sexualidade feminina vai muito além da genitalidade e da reprodução, estando ligada a questões complexas como o desejo, o amor e a criatividade. Na clínica, o analista pode ajudar a paciente a explorar suas fantasias e angústias sexuais, dando voz aos aspectos do feminino que foram silenciados ao longo da vida. Através da elaboração psíquica, é possível ressignificar a relação com o corpo e com o prazer, descobrindo novas formas de expressão da sexualidade na maturidade.
Na prática clínica, isso costuma aparecer como a queixa de já não reconhecer o próprio desejo, como se ele tivesse simplesmente desaparecido junto com os hormônios. Mas o que geralmente se descobre, ao longo do processo, é que o desejo não desapareceu, ele só deixou de caber nos moldes antigos e precisa ser procurado de um jeito novo, sem a pressa ou o roteiro que a vida reprodutiva impunha.
A menopausa como oportunidade de transformação
Apesar dos desafios, a menopausa também pode ser vivenciada como um momento de grande transformação e crescimento pessoal. Livre das preocupações com a contracepção e a maternidade, muitas mulheres relatam uma sensação de liberdade e autonomia, podendo se dedicar mais a si mesmas e a seus projetos de vida.
Uma paciente relatou ter voltado a pintar depois de décadas, algo que tinha deixado de lado quando os filhos nasceram. Foi o espaço que sobrou depois que outras urgências pararam de ocupar todo o tempo que permitiu esse retorno, mais do que a menopausa em si.
O propósito da psicanálise para a mulher na menopausa
Na perspectiva psicanalítica, a menopausa pode ser vista como um segundo processo de individuação, no qual a mulher tem a oportunidade de se reapropriar de sua história e de seus desejos. Através do trabalho terapêutico, é possível elaborar as feridas e os conflitos do passado, construindo uma narrativa mais integrada e autêntica de si mesma. Ao se desprender dos papéis e expectativas sociais, a mulher pode se reconectar com sua essência e criar formas de estar no mundo.
A menopausa é uma fase complexa e desafiadora na vida das mulheres, trazendo não apenas mudanças físicas, mas também profundas transformações emocionais e existenciais. Ao olhar para essa experiência através das lentes da psicanálise, podemos compreender melhor os impactos da menopausa na psiquê feminina e oferecer um espaço de acolhimento e elaboração para as mulheres que estão passando por essa transição.
Mais do que um período de perdas e limitações, a menopausa pode ser vivenciada como um momento de ressignificação da feminilidade, de revisão dos vínculos afetivos e de reencontro com os próprios desejos. Através do trabalho analítico, as mulheres podem se apropriar de sua história, elaborar os lutos e conflitos do passado e se abrir para novas possibilidades de ser e estar no mundo.
Nesse sentido, a psicanálise se apresenta como uma ferramenta valiosa para as mulheres na meia-idade, oferecendo um espaço de escuta e reflexão sobre as questões mais íntimas e profundas da existência. Ao se aventurar nessa jornada de autoconhecimento, as mulheres podem descobrir que a menopausa, mais do que um fim, é um novo começo, repleto de potencialidades e descobertas.
Vale dizer que nada disso acontece de uma vez. É um processo que se constrói aos poucos, na escuta, e não numa virada de chave depois de ler um texto sobre o assunto.
Não necessariamente. A psicanálise entende que a sexualidade feminina vai muito além da genitalidade e da reprodução, estando ligada a desejo, afeto e criatividade. Na clínica, é comum que a queda inicial da libido dê lugar, ao longo da elaboração, a novas formas de expressão do desejo e do prazer, sem o roteiro e a pressa que a vida reprodutiva impunha.
Por que a menopausa costuma trazer perdas que vão além do corpo?
Porque costuma coincidir com outras perdas simultâneas, como filhos que saem de casa ou uma revisão de papéis e relacionamentos, e é nesse acúmulo, não em uma perda isolada, que costuma morar boa parte do peso emocional dessa fase.
A psicanálise pode ajudar a ressignificar a feminilidade na menopausa?
Sim. A psicanálise pode ajudar as mulheres a ressignificarem sua feminilidade para além dos estereótipos sociais, valorizando a sabedoria, a experiência e a liberdade que a maturidade pode trazer, através da escuta analítica que explora fantasias, medos e desejos inconscientes ligados ao envelhecimento e à sexualidade.
Por que conteúdos psíquicos antigos podem retornar durante a menopausa?
Porque a menopausa costuma trazer de volta conteúdos psíquicos recalcados, especialmente ligados à sexualidade e à identidade feminina. Com a queda dos hormônios sexuais, muitas mulheres relatam mudanças na libido, e esses sintomas podem vir acompanhados de fantasias de inadequação e rejeição que remetem a conflitos bem mais antigos.
Priscila Soares Falchi
Priscila Soares Falchi é Psicóloga Clínica (CRP 06/200925) e Psicanalista formada pelo instituto IBCP. Pós-graduada em Psicanálise Contemporânea pela PUC-RS, com especialização livre em Práticas Clínicas na Infância, e pós-graduanda em Terapia Cognitivo-Comportamental pela PUC-RS. Atende adultos, adolescentes e crianças em Santo André e também de forma online.
Menopausa e psicanálise: um encontro transformador na segunda metade da vida.Quando os hormônios se despedem, a psique se revela: explorando os desafios e as potencialidades da menopausa na clínica psicanalítica
Menopausa: navegando pelas transformações emocionais da meia-idade. Além dos sintomas físicos: como a menopausa afeta a saúde mental das mulheres e o que a psicanálise tem a dizer sobre isso
Depois da menopausa a pergunta que aparece não é sobre o corpo: é sobre quem você é agora. Veja o que muda na identidade e o que ajuda a atravessar essa fase.
Para as mulheres na menopausa, a psicanálise oferece uma visão valiosa para propiciar uma forma efetiva de examinar e compreender as transformações que estão vivenciando
Muita mulher chega ao consultório dizendo que não se reconhece mais. Não é sobre o corpo, ou não é só sobre o corpo. É a sensação de que a vida depois da menopausa será uma versão menor da que veio antes, e de que ninguém avisou isso.
Essa sensação tem explicação, e ela não é hormonal. A nossa cultura organiza o valor da mulher em torno de duas funções, a de ser desejada e a de cuidar dos outros. Quando as duas mudam de lugar ao mesmo tempo, sobra uma pergunta desconfortável. Quem eu sou agora?
É uma pergunta boa, ainda que incômoda. Reuni aqui o que costuma aparecer nessa fase e o que ajuda a atravessá-la.
Índice
A vida depois da menopausa não é uma versão menor
A primeira coisa que costuma ser dita nessa fase, e que faz muito mal, é que agora é hora de desacelerar. Vem de um lugar bem-intencionado e chega como sentença.
A vida depois da menopausa não é encerramento de ciclo. É o fim de um arranjo específico, o da mulher organizada em torno da possibilidade de engravidar e da rotina de criar filhos pequenos. Esse arranjo ocupou décadas e, quando sai de cena, deixa espaço. Espaço assusta antes de virar possibilidade.
Na psicanálise, a identidade não é uma coisa fixa que a pessoa carrega. Ela se sustenta em identificações, papéis e lugares que a gente ocupa nas relações. Mãe de criança pequena. Profissional em ascensão. Filha de alguém que ainda está por perto.
Depois da menopausa, muitos desses lugares se transformam ao mesmo tempo, e às vezes em poucos anos. Os filhos crescem, os pais adoecem ou morrem, a carreira chega num platô. Não é um evento, são vários, e é por isso que a sensação é de chão saindo de baixo.
Quando isso acontece, a pergunta sobre quem se é deixa de ser filosófica e vira concreta. É a pergunta central da vida depois da menopausa. É comum a mulher perceber que nunca precisou responder isso antes, porque os papéis respondiam por ela.
6 perguntas que aparecem depois da menopausa
Estas são as que mais escuto, quase sempre ditas com pedido de desculpa antes:
Se eu não sou mais a mãe de quem precisa de mim o tempo todo, eu sou o quê?
Ainda posso querer alguém, ou querer alguém agora é ridículo?
Vale a pena começar algo novo nessa altura, ou já passou da hora?
Por que estou com raiva de coisas que eu antes engolia sem pensar?
Se eu mudar agora, o que acontece com o casamento que foi construído sobre a versão anterior de mim?
Isso que estou sentindo é a fase passando, ou é depressão?
Repare que quase nenhuma delas é sobre calor ou sono. As perguntas que ocupam a vida depois da menopausa são sobre lugar, desejo e permissão.
Quando o ninho esvazia na mesma época
A coincidência de datas é cruel, e explica boa parte do peso dos primeiros anos depois da menopausa. Não é raro os filhos saírem de casa exatamente nos anos em que o corpo muda, e aí duas perdas chegam juntas sem que nenhuma delas seja nomeada como perda.
Muita mulher se sente culpada por sentir alívio, ou culpada por sentir tristeza, e às vezes pelas duas ao mesmo tempo no mesmo dia. As duas coisas cabem. A saída da casa dos filhos devolve tempo, e tempo devolvido é ótimo e assustador.
O que costuma aparecer nesse momento é a percepção de que o casal ficou sozinho e não sabe mais conversar sobre outra coisa que não seja logística. Isso não significa que o casamento acabou. Significa que ele precisa de assunto novo, e assunto novo é exatamente o que a vida depois da menopausa oferece, se houver espaço para procurá-lo.
O corpo, e a diferença entre envelhecer e sumir
Existe uma confusão que aparece muito e vale desfazer. Envelhecer é um processo, e ser socialmente apagada é outra coisa, que acontece de fora para dentro.
Boa parte do mal-estar com o corpo depois da menopausa não vem do corpo em si. Vem de perceber que as pessoas passaram a olhar menos, que o vendedor atende primeiro a moça ao lado, que a piada na mesa não é mais com você. Isso dói e é real, e não se resolve com creme.
O que a análise pode fazer aqui é ajudar a separar o que você sente do que te disseram que você deveria sentir. Tem mulher que descobre, nesse processo, que nunca gostou de ser olhada daquele jeito e que o alívio é maior que a perda. E tem mulher que descobre o contrário, e aí o luto é legítimo e precisa de espaço.
A relação com o corpo depois da menopausa costuma melhorar quando ele deixa de ser vitrine e volta a ser lugar onde se mora.
O trabalho, e a vontade de mudar de rumo
Aos quarenta e muitos, cinquenta, é comum aparecer uma inquietação com o trabalho que não existia antes. Não é crise, e quase nunca é impulso.
O que costuma acontecer é que a pessoa escolheu uma carreira aos vinte anos, por razões que faziam sentido naquele momento e que muitas vezes eram de outra pessoa. Depois vieram as contas, os filhos, a estabilidade, e não houve espaço para revisar aquela escolha. A vida depois da menopausa devolve esse espaço, e o que aparece nele às vezes assusta.
Vale ouvir essa inquietação sem obedecer imediatamente a ela. Nem toda vontade de mudar precisa virar demissão. Muitas vezes o que está pedindo passagem é um interesse antigo que cabe fora do expediente, e que muda o humor da semana inteira quando ganha algumas horas.
O que a análise faz com isso
A análise não devolve a juventude, e prometer isso seria desonesto. O que ela faz é separar o que é seu do que foi combinado por outras pessoas ao longo do caminho, e isso é mais útil.
Muito do que parece perda nessa fase é, quando se olha de perto, o fim de uma obrigação que nunca foi escolhida. Escutar isso muda o tamanho do luto. E o que sobra depois dessa separação costuma ser um desejo antigo, guardado quando não havia tempo para ele.
É um trabalho lento e não tem fórmula. Mas o resultado que mais vejo é uma mulher que para de pedir desculpa por querer coisas.
Quando o desânimo é mais do que transição
Nem tudo o que aparece depois da menopausa é transição, e é importante não romantizar. Se o desânimo dura mais de duas semanas seguidas, se você perdeu o interesse por coisas que sempre gostou, se o sono e o apetite mudaram muito, ou se aparece a ideia de não querer mais estar aqui, isso pede avaliação profissional e não paciência.
Nesses casos vale procurar tanto o ginecologista quanto um profissional de saúde mental. Se aparecer o pensamento de não querer mais estar aqui, procure ajuda no mesmo dia. O CVV atende 24 horas pelo telefone 188, é gratuito e sigiloso.
Se você quiser um espaço para responder à pergunta de quem você é agora, agende uma primeira conversa. Atendo online para todo o Brasil.
Isso que estou sentindo depois da menopausa é a fase passando, ou é depressão?
Nem tudo que aparece depois da menopausa é transição, e não convém romantizar. Se o desânimo dura mais de duas semanas seguidas, se você perdeu o interesse por coisas que sempre gostou, se o sono e o apetite mudaram muito, ou se aparece a ideia de não querer mais estar aqui, isso pede avaliação profissional e não paciência. Vale procurar tanto o ginecologista quanto um profissional de saúde mental.
Por que o ninho vazio e a menopausa costumam chegar juntos?
A coincidência de datas é cruel, e explica boa parte do peso dos primeiros anos depois da menopausa. Não é raro os filhos saírem de casa exatamente nos anos em que o corpo muda, e aí duas perdas chegam juntas sem que nenhuma delas seja nomeada como perda.
Envelhecer e ser socialmente apagada são a mesma coisa?
Não. Envelhecer é um processo, e ser socialmente apagada é outra coisa, que acontece de fora para dentro. Existe uma confusão comum entre as duas que vale desfazer.
Por que surge vontade de mudar de carreira depois da menopausa?
Aos quarenta e muitos, cinquenta, é comum aparecer uma inquietação com o trabalho que não existia antes, e isso não é crise nem impulso. O que costuma acontecer é que a pessoa escolheu uma carreira aos vinte anos, por razões que faziam sentido naquele momento e que muitas vezes eram de outra pessoa. Depois vieram as contas, os filhos, a estabilidade, e não houve espaço para revisar aquela escolha. A vida depois da menopausa devolve esse espaço, e o que aparece nele às vezes assusta.
Priscila Soares Falchi
Priscila Soares Falchi é Psicóloga Clínica (CRP 06/200925) e Psicanalista formada pelo instituto IBCP. Pós-graduada em Psicanálise Contemporânea pela PUC-RS, com especialização livre em Práticas Clínicas na Infância, e pós-graduanda em Terapia Cognitivo-Comportamental pela PUC-RS. Atende adultos, adolescentes e crianças em Santo André e também de forma online.
Menopausa e psicanálise: um encontro transformador na segunda metade da vida.Quando os hormônios se despedem, a psique se revela: explorando os desafios e as potencialidades da menopausa na clínica psicanalítica
Menopausa: navegando pelas transformações emocionais da meia-idade. Além dos sintomas físicos: como a menopausa afeta a saúde mental das mulheres e o que a psicanálise tem a dizer sobre isso
Depois da menopausa a pergunta que aparece não é sobre o corpo: é sobre quem você é agora. Veja o que muda na identidade e o que ajuda a atravessar essa fase.
Para as mulheres na menopausa, a psicanálise oferece uma visão valiosa para propiciar uma forma efetiva de examinar e compreender as transformações que estão vivenciando
A psicanálise é uma abordagem psicoterapêutica fundada por Sigmund Freud no final do século XIX, que se dedica ao entendimento profundo da psique humana. Ela explora pensamentos, sentimentos, emoções e como as questões inconscientes influenciam o nosso bem-estar. Utiliza a associação livre de ideias e sonhos na compreensão sobre como se dão as relações interpessoais, as atitudes e processos internos na vida da pessoa.
Embora Freud, o pai da psicanálise, não tenha abordado diretamente a temática da menopausa em seu trabalho, sua contribuição quanto ao desenvolvimento psicossexual serve como base até hoje para compreender as questões psicológicas que se fazem presentes em todas as fases da vida, inclusive na menopausa.
Essa abordagem parte da ideia de que eventos e conflitos vividos no passado, durante a infância, por exemplo, podem influenciar nos relacionamentos interpessoais e na maneira como a pessoa exerga o mundo a si mesma. Assim como, os relacionamentos interpessoais e outros aspectos presentes no momento atual, em forma de inseguranças, medos ou outros sentimentos que causem sofrimento psíquico.
Índice
O que a psicanálise oferece para mulheres na menopausa
Para as mulheres na menopausa, a psicanálise oferece uma visão valiosa para propiciar uma forma efetiva de examinar e compreender as transformações que estão vivenciando nessa fase tão importante de suas vidas. Esta fase pode despertar questionamentos sobre sua identidade, autoestima, sexualidade e propósito, entre outros temas presentes no seu inconsciente.
Uma pergunta que costuma aparecer nesse momento é quem eu sou quando as funções que ocupavam esse lugar até aqui, mãe de filho pequeno, cuidadora, corpo fértil, deixam de organizar minha rotina do mesmo jeito? É uma pergunta que se investiga aos poucos, não que se responde de uma vez, e é justamente esse investigar que a análise sustenta.
Não é preciso esperar um sintoma grave para começar. Muitas mulheres procuram esse espaço só porque sentem que algo mudou e ainda não sabem nomear o quê, e isso já é razão suficiente.
Estar atenta a essas mudanças, em vez de simplesmente esperar que elas passem sozinhas, costuma abrir mais espaço de vida do que se imagina no começo.
Muitas mulheres na menopausa enfrentam mudanças na percepção de si mesmas, provocadas tanto por alterações físicas desencadeadas pela drástica mudança hormonal, quanto pela transição para uma nova etapa da vida.
A psicanálise ajuda na exploração dos impactos dessas mudanças e em como afetam a identidade e a autoestima, encorajando um diálogo interno que pode revelar novas maneiras de autoaceitação e amor próprio.
Muitas questões podem ser levantadas nessa fase, mas as mais comuns estão relacionadas à sexualidade, relacionamentos interpessoais e o envelhecimento.
1. A sexualidadefeminina na menopausa
As alterações hormonais típicas do processo da menopausa podem causar um impacto significativo na vida sexual da mulher, sendo este um aspecto que a psicanálise consegue abordar com sensibilidade e de maneira profunda. Isso devido ao fato de investigar os sentimentos e questões inconscientes que a mulher pode carregar acerca da sexualidade, ajudando-na a redescobrir sua vida sexual de maneira adaptada à sua nova realidade.
A psicanálise, portanto, reconhece a importância das mudanças biológicas inerentes à menopausa, mas busca contextualizá-las dentro de uma visão mais ampla da sexualidade feminina.
Um exemplo comum na clínica envolve uma paciente que associa o desejo sexual exclusivamente à juventude e à fertilidade, e que se sente, na menopausa, como se essa parte dela tivesse simplesmente acabado. O trabalho analítico ajuda a separar essas duas coisas, o desejo não depende da capacidade reprodutiva, e a descobrir uma sexualidade que não estava disponível antes, justamente porque não precisa mais responder a essa expectativa.
A terapia ajuda na exploração dessas alterações físicas quanto à maneira como interagem com a psique, influenciando na forma como a mulher se percebe e se relaciona com sua sexualidade.
2 Relacionamentos interpessoais e Intimidade
As transformações pessoais das mulheres na menopausa também podem repercutir nas relações íntimas e familiares. A psicanálise proporciona um espaço seguro para explorar essas questões, promovendo um entendimento mais profundo das necessidades e desejos individuais, e como estes se manifestam nas interações pessoais e vivências com os outros.
É comum, por exemplo, que uma mulher perceba que passou anos priorizando as necessidades de todo mundo em casa antes das próprias, e que a menopausa, com suas próprias exigências de atenção, seja o que finalmente força essa conta a aparecer. Isso costuma tensionar relações que pareciam estáveis, não porque elas pioraram, mas porque uma delas parou de aceitar o acordo antigo em silêncio.
3. Enfrentamento o Envelhecimento
A menopausa frequentemente se apresenta como um momento de reflexão sobre o envelhecimento. Dessa forma, a psicanálise permite um mergulho profundo nessas reflexões, ajudando a mulher a enfrentar e aceitar o processo de envelhecimento de maneira saudável e natural.
Isso costuma passar por uma revisão de expectativas que a própria mulher nunca colocou em palavras, a ideia de que valor e atratividade estariam ligados a uma determinada aparência ou idade. Nomear essa crença, que geralmente foi absorvida e nunca questionada, já tira boa parte do peso que ela carrega.
Ao se engajar na psicanálise, as mulheres na menopausa não apenas ganham meios valiosos para enfrentar sobre seus desafios atuais, mas também adquirem ferramentas para viver essa fase de forma mais plena e significativa.
A psicanálise se apresenta, portanto, como um caminho poderoso para a autodescoberta e o bem-estar durante a menopausa, oferecendo um suporte inestimável na jornada para o autoconhecimento e a realização pessoal.
Com isso, ajuda a entender e navegar pelas complexidades da sexualidade feminina na menopausa. Ao abordar tanto as dimensões físicas quanto psicológicas, a terapia psicanalítica pode fornecer um olhas valioso e apoio para mulheres que buscam manter ou redescobrir sua vida sexual e afetiva durante de maneira plena e natural.
As sessões de psicanálise em geral acontecem de forma semanal com duração de até 50 minutos. Os horários são agendados de maneira prévia e acontecem sempre no dia e hora marcados.
Cada psicanalista atua de acordo com sua própria clínica. No meu caso, trabalho com tratamento contínuo, renovado mensalmente.
As sessões são online e acontecem por meio de vídeochamada, com a utilização de ferramentas e plataformas reconhecidas e seguras. Com isso, é possível fazer análise em qualquer lugar do mundo, com conforto e comodidade.
Tudo que é dito durante a sessão é mantido sob absoluto sigilo.
Nas primeiras sessões, não existe roteiro fixo nem lista de perguntas a responder. A paciente fala livremente sobre o que estiver ocupando sua mente naquele momento, e é dessa fala, ao longo do tempo, que os padrões e as questões que realmente importam vão aparecendo, muitas vezes de um jeito que a própria pessoa não esperava.
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As sessões acontecem em geral de forma semanal, com duração de até 50 minutos, em horário agendado previamente e fixo. Cada psicanalista organiza a própria clínica, no meu caso, trabalho com tratamento contínuo, renovado mensalmente, e as sessões são online, por vídeochamada, com plataformas seguras, o que permite fazer a análise de qualquer lugar do mundo.
Por que a menopausa pode desestabilizar relações que pareciam estáveis?
É comum que uma mulher perceba que passou anos priorizando as necessidades de todo mundo em casa antes das próprias, e que a menopausa, com suas próprias exigências de atenção, seja o que finalmente força essa conta a aparecer. Isso costuma tensionar relações que pareciam estáveis, não porque elas pioraram, mas porque uma delas parou de aceitar o acordo antigo em silêncio. A psicanálise proporciona um espaço seguro para explorar essas questões, promovendo um entendimento mais profundo das necessidades e desejos individuais.
Como a psicanálise ajuda a separar desejo sexual de juventude e fertilidade na menopausa?
Um exemplo comum na clínica envolve uma paciente que associa o desejo sexual exclusivamente à juventude e à fertilidade, e que se sente, na menopausa, como se essa parte dela tivesse simplesmente acabado. O trabalho analítico ajuda a separar essas duas coisas, o desejo não depende da capacidade reprodutiva, e a descobrir uma sexualidade que não estava disponível antes, justamente porque não precisa mais responder a essa expectativa.
É preciso esperar um sintoma grave para procurar a psicanálise na menopausa?
Não. Muitas mulheres procuram esse espaço só porque sentem que algo mudou e ainda não sabem nomear o quê, e isso já é razão suficiente. Estar atenta a essas mudanças, em vez de simplesmente esperar que elas passem sozinhas, costuma abrir mais espaço de vida do que se imagina no começo.
Priscila Soares Falchi
Priscila Soares Falchi é Psicóloga Clínica (CRP 06/200925) e Psicanalista formada pelo instituto IBCP. Pós-graduada em Psicanálise Contemporânea pela PUC-RS, com especialização livre em Práticas Clínicas na Infância, e pós-graduanda em Terapia Cognitivo-Comportamental pela PUC-RS. Atende adultos, adolescentes e crianças em Santo André e também de forma online.
Menopausa e psicanálise: um encontro transformador na segunda metade da vida.Quando os hormônios se despedem, a psique se revela: explorando os desafios e as potencialidades da menopausa na clínica psicanalítica
Menopausa: navegando pelas transformações emocionais da meia-idade. Além dos sintomas físicos: como a menopausa afeta a saúde mental das mulheres e o que a psicanálise tem a dizer sobre isso
Depois da menopausa a pergunta que aparece não é sobre o corpo: é sobre quem você é agora. Veja o que muda na identidade e o que ajuda a atravessar essa fase.
Para as mulheres na menopausa, a psicanálise oferece uma visão valiosa para propiciar uma forma efetiva de examinar e compreender as transformações que estão vivenciando
Como a psicanálise pode ajudar mulheres a passarem pela fase da menopausa
Para muitas mulheres adentrar na fase da menopausa representa um grande desafio e um momento significativo de suas vidas. Muitas dessas mulheres se veem diante de um mar de incertezas e transformações em seu organismo.
Basicamente a menopausa é um período natural do corpo feminino que marca o fim dos ciclos menstruais e que frequentemente traz consigo uma série de sintomas que podem afetar profundamente seu dia a dia.
São comuns nessa fase surgirem sintomas físicos como as ondas de calor, conhecidas como fogachos, sensação de desconforto, ganho de peso, perda de massa muscular, entre outros diversos sintomas ocasionados pela drástica mudança hormonal. Além disso, questões como alteração de humor e insônia são efeitos que também podem abalar não só o corpo mas também o estado emocional.
A idade para o início dessa fase pode variar muito, mas em geral pode se dar a partir dos 45 anos. É uma época de reflexão, de reavaliação da vida e enfrentamento de questões que vão muito além do aspecto físico.
Índice
1 - Sintomas da menopausa
Os sintomas são muitos e se manifestam de maneira diferente para cada mulher, podendo variar amplamente de uma para outra, sendo os mais comuns são as ondas de calor, suores noturnos, insônia, mudanças de humor, depressão, ansiedade, dificuldade de concentração, diminuição da libido, e secura vaginal. Essas e outras mudanças podem ser desconcertantes e, muitas vezes, impactam não apenas a saúde física, mas também a saúde mental.
Os sintomas da menopausa são tão variados quanto as mulheres que os experienciam e podem levar a uma série de questionamentos sobre a própria identidade, seu autovalor e propósito de vida. Neste contexto, a compreensão e o apoio adequados tornam-se fatores fundamentais, contando com o apoio médico e de profissionais de saúde mental.
Como psicóloga e psicanalista, entendo como podem ser tratadas as questões emocionais em torno da menopausa, sendo que eu mesma me encontro nessa fase da vida. Dessa forma compreendo profundamente as nuances desta experiência. Este conhecimento não vem apenas dos livros ou dos estudos clínicos da terapia psicanalítica, mas também da vivência pessoal dos desafios e das descobertas que a menopausa traz.
Sendo assim, meu objetivo não é apenas discutir os sintomas da menopausa, mas abrir um espaço para o diálogo sobre como enfrentar essa fase com menos desconforto e mais compreensão, com a certeza de que é possível encontrar caminhos para lidar com as mudanças físicas e emocionais, por meio da exploração de novas perspectivas de vida e, acima de tudo, sentir-se apoiada e compreendida nesse momento tão delicado.
2 - Psicoterapia no apoio aos desafios da menopausa
A saúde mental e emocional pode ser abalada durante a menopausa ou climatério, pois além dos sintomas físicos, muitas mulheres experimentam uma sensação de perda, como se fosse um luto, durante esse período.
Isso no sentido de que a perda da fertilidade pode ser vivenciada como uma perda de feminilidade ou de uma fase jovem da vida. Isso pode levar a sentimentos de profunda tristeza ou até mesmo uma crise de identidade.
Adicionalmente, a menopausa muitas vezes coincide com outros desafios da vida, como o envelhecimento dos pais, a saída dos filhos de casa, ou mudanças na carreira, que podem adicionar camadas de estresse e ansiedade.
É nesse momento que um atendimento psicanalítico pode oferecer um suporte inestimável.
A psicanálise permite uma exploração profunda do inconsciente, dos sentimentos e pensamentos que surgem durante esta fase, oferecendo um espaço seguro para as mulheres expressarem suas angústias, medos e esperanças. Esta abordagem ajuda a desvendar os significados ocultos por trás dos sintomas físicos e emocionais, permitindo uma compreensão mais clara sobre si mesma e uma reconciliação com as mudanças que estão ocorrendo.
3 - Benefícios da psicanálise na menopausa
Por estar na menopausa, entendo não apenas dos desafios clínicos, mas também os pessoais que acompanham esta fase. Esta compreensão me permite oferecer uma perspectiva mais profunda e empática no atendimento psicoterápico na abordagem psicanalítica.
Isso não substitui a formação técnica, mas soma a ela. Vale tanto para reconhecer o que é esperado nessa fase quanto para não patologizar o que, muitas vezes, é só o corpo e a vida pedindo reorganização.
Essa abordagem não é apenas sobre lidar com os sintomas, mas sobre encontrar um novo sentido para a vida e redescobrir a si mesma neste novo estágio, a partir do seu inconsciente e de sua história de vida, sendo um autoconhecimento importante para que possa enfrentar esse momento como protagonista de sua própria história.
A psicanálise, com sua ênfase na exploração do inconsciente, oferece insights valiosos sobre como ressignificar as experiências passadas, entre outros aspectos que podem influenciar na maneira como vivenciamos a menopausa. Este tratamento terapêutico ajuda a identificar e resolver conflitos internos, promovendo uma maior harmonia interna e bem-estar emocional. É uma jornada de autoconhecimento, onde cada mulher pode aprender a ouvir seu próprio corpo e mente, reconhecendo e valorizando seu caminho pessoal.
A terapia na modalidade online, como forma de tratamento favorece esses benefícios, pois permite uma acessibilidade sem precedentes, para que mulheres de qualquer lugar tenham acesso a suporte especializado sem a necessidade de deslocamento. Esta modalidade de atendimento tem se mostrado particularmente valiosa no contexto atual, garantindo continuidade e suporte constantes, essenciais para o processo clínico.
Portanto, encarar a menopausa pode ser desafiador, mas você não precisa fazer isso sozinha. O suporte psicológico pode ser um recurso poderoso para ajudá-la a entender e navegar por esta fase de transformação.
Outro importante benefício é que por meio da psicanálise, você pode encontrar maneiras de lidar com os novos desafios, transformando este período em uma oportunidade para crescimento e renovação.
Ao enfrentarmos os desafios inerentes à menopausa, a busca por alívio e compreensão torna-se essencial.
É por isso que a psicoterapia clínica na abordagem psicanalítica se destaca como um passo importante, oferecendo mais do que um simples alívio sintomático, propiciando um caminho genuíno e consistente para a autodescoberta, o equilíbrio emocional e uma nova forma de viver e apreciar esta fase da vida com um novo olhar.
4 - Como funciona o atendimento psicanalítico
Como psicóloga e psicanalista proporciono um atendimento individual e online que visa garantir privacidade e conveniência, facilitando seu embarque nesta jornada de dentro do conforto do seu lar, com total sigilo e segurança.
Esta modalidade online permite que mulheres de diferentes localidades tenham acesso a um atendimento especializado, superando barreiras geográficas e de tempo. Durante as sessões, abordamos não apenas os sintomas da menopausa, mas também a origem das questões relacionadas à autoestima, à sexualidade, às relações interpessoais, sua história de vida e as mudanças ao longo dela.
O objetivo é ajudar as mulheres a navegarem por este período com mais serenidade e confiança, entendendo que, embora a menopausa marque o fim da fertilidade, ela também pode ser o início de uma fase de grande crescimento pessoal e liberdade.
Cada sessão semanal dura até 50 minutos cada, e é uma oportunidade para explorar e entender os sentimentos, pensamentos e emoções que a menopausa pode aflorar. Mais do que isso, ajudar a reconhecer e valorizar sua jornada única, para favorecer a redescoberta do prazer e propósito na vida.
Para atender às diversas necessidades, ofereço um plano de atendimentos com pacotes de sessões mensais com disponibilidade de horário pelas manhãs, tardes ou noites, de acordo com a sua agenda.
Este plano é projetado para fornecer um suporte contínuo, crucial para enfrentar os desafios emocionais e psicológicos tanto na menopausa quanto em qualquer outro momento da vida. A regularidade das sessões promove um processo terapêutico consistente, permitindo um avanço gradual e sustentado na compreensão e gestão dos sintomas e desafios.
Permita-se descobrir a força e a sabedoria que existem dentro de você, mesmo em meio às tempestades da menopausa.
Porque a perda da fertilidade pode ser vivenciada como uma perda de feminilidade ou de uma fase jovem da vida, o que pode levar a sentimentos de profunda tristeza ou até uma crise de identidade. Além disso, a menopausa costuma coincidir com outros desafios, como o envelhecimento dos pais, a saída dos filhos de casa ou mudanças na carreira, que somam camadas de estresse e ansiedade ao período.
A perda da fertilidade na menopausa pode gerar uma crise de identidade?
Pode. A perda da fertilidade costuma ser vivenciada como uma perda de feminilidade ou de uma fase jovem da vida, o que pode levar a sentimentos de profunda tristeza ou até uma crise de identidade.
Por que a experiência pessoal da psicanalista importa no atendimento sobre menopausa?
Por estar vivendo a própria menopausa, entendo não só os desafios clínicos, mas também os pessoais que acompanham essa fase, o que me permite oferecer uma perspectiva mais profunda e empática no atendimento.
O atendimento para menopausa precisa ser presencial?
Não precisa. O atendimento é individual e online, o que garante privacidade e conveniência, facilitando esse processo de dentro do próprio lar, com sigilo e segurança.
Priscila Soares Falchi
Priscila Soares Falchi é Psicóloga Clínica (CRP 06/200925) e Psicanalista formada pelo instituto IBCP. Pós-graduada em Psicanálise Contemporânea pela PUC-RS, com especialização livre em Práticas Clínicas na Infância, e pós-graduanda em Terapia Cognitivo-Comportamental pela PUC-RS. Atende adultos, adolescentes e crianças em Santo André e também de forma online.
Menopausa e psicanálise: um encontro transformador na segunda metade da vida.Quando os hormônios se despedem, a psique se revela: explorando os desafios e as potencialidades da menopausa na clínica psicanalítica
Menopausa: navegando pelas transformações emocionais da meia-idade. Além dos sintomas físicos: como a menopausa afeta a saúde mental das mulheres e o que a psicanálise tem a dizer sobre isso
Depois da menopausa a pergunta que aparece não é sobre o corpo: é sobre quem você é agora. Veja o que muda na identidade e o que ajuda a atravessar essa fase.
Para as mulheres na menopausa, a psicanálise oferece uma visão valiosa para propiciar uma forma efetiva de examinar e compreender as transformações que estão vivenciando