Priscila Soares Falchi, psicóloga e psicanalista em Santo André
O lugar da sessão online: o que você precisa do seu lado

O lugar da sessão online: o que você precisa do seu lado

No consultório, o espaço da sessão vem pronto. Você entra, fecha a porta, e aquele lugar é da análise. Na sessão online, esse espaço passa a ser responsabilidade sua, e quase ninguém avisa isso antes.

Este texto trata do lugar de onde você fala na sessão online, algo que costuma ser tratado como detalhe técnico. Ele influencia o que você consegue dizer.

O lugar da sessão online: o que ele precisa ter

Um lugar onde ninguém entre é a condição, não uma questão de estética.

Não precisa ser um escritório bonito nem um ambiente silencioso de estúdio. Precisa ser um lugar onde você não vá interromper a frase no meio porque alguém passou atrás, nem baixar a voz quando o assunto ficar difícil.

Essa condição protege a sua liberdade de dizer o que veio, não o sigilo formal, que já está garantido do meu lado. Quem fala olhando para a porta fala outra coisa.

Essa exigência ultrapassa o bom senso clínico, meu ou seu. A Resolução CFP nº 9/2024 regulamenta o atendimento psicológico mediado por tecnologia no Brasil, e é ela que determina as condições mínimas de sigilo e privacidade que o ambiente da sessão online precisa garantir.

O som importa mais que a imagem

Se você tiver que escolher entre melhorar a câmera e melhorar o áudio, melhore o áudio.

O fone de ouvido resolve os dois lados de uma vez. Impede que quem está na casa escute o que eu digo, e reduz a fadiga de escuta que uma sessão inteira em caixa de som produz. Qualquer fone simples serve, inclusive o que veio com o celular.

Quanto à conexão, estável importa mais do que rápida. Uma conexão modesta e constante sustenta uma sessão online melhor do que uma rápida que cai a cada dez minutos. Se der para usar cabo em vez de wi-fi, use.

Sessão de psicanálise online por videochamada

O plano para a interrupção na sessão online

Interrupção vai acontecer, e ter combinado o que fazer antes evita que ela vire constrangimento.

Se a conexão cair, eu ligo de volta. Você não precisa se explicar nem pedir desculpa. Se alguém bater na porta, você diz e a gente pausa. O tempo perdido nesses casos entra na conta da sessão.

O que atrapalha de verdade não é a interrupção, e sim o medo dela. Quem passa a sessão online inteira com um ouvido na porta não está ali por completo.

Quando não existe um cômodo só seu

Essa é a situação mais comum, e ela tem saída.

  • O carro estacionado. É mais usado do que se imagina, e funciona muito bem: é fechado, é seu, e ninguém entra.
  • Combinar o horário. Escolher o momento em que a casa está vazia, mesmo que não seja o horário mais conveniente.
  • Fone e voz baixa, num cômodo com porta. Menos ideal, mas viável quando não há outra opção.

Sala aberta com gente circulando não funciona, nem sessão online feita andando pela casa. Nesses casos, é melhor remarcar do que fazer pela metade.

A transição que o consultório dava de graça

Existe uma perda no online que raramente é nomeada, e vale se preparar para ela.

No consultório existe o deslocamento. O caminho de ida serve para chegar, e o de volta serve para assentar o que foi mexido. Em casa, a sessão acaba e a vida está do outro lado da porta, imediatamente.

A compensação é simples e faz diferença. Reserve quinze minutos depois, sem compromisso em seguida. Não precisa fazer nada específico. Precisa não emendar numa reunião.

O que não precisa

Vale dizer o que dispensa, porque muita gente adia por achar que precisa se equipar.

Não precisa de computador. Celular funciona, desde que apoiado em algum lugar e não na mão. Não precisa de internet rápida, como já disse. Não precisa de um cenário arrumado atrás de você, nem de fundo virtual. E não precisa de um cômodo dedicado.

A luz, e por que ela não é vaidade

Vale sentar de frente para a janela, ou para o abajur, e não de costas. Com a luz atrás, você vira uma silhueta escura na tela, e eu perco justamente o que mais uso, que é o seu rosto.

Não precisa de equipamento. Uma luminária de mesa apontada para a parede à sua frente já resolve. Se a sessão online for à noite, evite ficar só com a luz azulada do próprio aparelho, que cansa a vista e endurece a expressão.

Sobre o enquadramento, o ideal é aparecer do peito para cima, com um palmo de folga acima da cabeça. Assim eu vejo o ombro subir quando algo aperta, e isso conta bastante.

Fazer a sessão do carro ou do trabalho

Acontece, e não é o fim do mundo. Muita gente só consegue um horário no meio do expediente, e o carro estacionado acaba sendo o lugar mais reservado que existe.

Funciona com duas condições. O carro precisa estar parado, sempre, e num lugar onde você não vá ser abordada. E o fone de ouvido passa a ser obrigatório, porque o som do aparelho aberto atravessa o vidro mais do que você imagina.

Já a sala de reunião da empresa costuma ser pior do que parece. Parede fina, gente passando, e a sensação de estar sendo ouvida faz você medir cada palavra. Numa sessão online, medir palavra é exatamente o que atrapalha. Se for a única opção, me avise. Dá para ajustar o que fazemos naquele dia.

O que muda quando você atende do celular

Funciona, e é o que a maioria usa. Só peço duas coisas.

A primeira é apoiar o aparelho em algum lugar em vez de segurar. A mão cansa, a imagem balança, e você acaba se olhando o tempo todo em vez de falar comigo.

A segunda é colocar o celular no modo não perturbe. Notificação chegando no meio da sessão online tira você do assunto, e às vezes leva vários minutos para voltar ao ponto onde estava.

Quando não dá para fazer a sessão online

Sendo honesta, existem situações em que essas condições mínimas não se sustentam, e insistir no online seria fingir que está tudo bem.

Uma sessão online em conexão ruim, num lugar sem privacidade, com interrupção a cada dez minutos, é uma sessão prejudicada. E há quadros clínicos em que o presencial é mais indicado por outras razões, que estão detalhadas em psicanálise online: como funciona.

Se as condições existirem, o que a pesquisa mostra é que o vínculo se constrói do mesmo jeito. Se quiser saber como é o primeiro encontro, escrevi em como é a primeira sessão.

Para conversar sobre o seu caso, agende uma primeira conversa. Atendo online para todo o Brasil.

A câmera ligada na sessão online, e por que não é formalidade

Preciso mesmo ligar a câmera? É uma pergunta que aparece com frequência.

Precisa, e a razão é clínica, não de etiqueta. O que o rosto faz enquanto a frase é dita comunica tanto quanto ela, às vezes mais, numa sessão online. A hesitação antes de uma palavra, o desvio de olhar num assunto específico, o sorriso que aparece contando algo triste. Isso tudo é material de trabalho.

Vale a mesma coisa do meu lado. Você precisa ver que está sendo escutada, e a tela preta tira isso.

Existe uma exceção que respeito. Em certos momentos, dizer algo muito difícil fica mais fácil sem ser vista. Se isso acontecer, é só falar. Desligar a câmera por um trecho é diferente de fazer a sessão inteira no escuro.

Onde apoiar o aparelho

Apoie o aparelho em algo firme, na altura aproximada do rosto. É um detalhe pequeno, com efeito grande.

Celular na mão produz uma imagem que balança o tempo todo, e obriga você a segurar o braço por cinquenta minutos. Além do cansaço físico, a mão ocupada tira uma coisa que importa. No consultório as pessoas gesticulam, mexem no anel, cruzam os braços, e esses movimentos dizem coisas.

Uma pilha de livros resolve. Não precisa de suporte comprado.

O horário fixo faz parte do combinado

O horário faz parte do lugar da sessão online, tanto quanto o espaço. E aqui o online tem uma armadilha própria.

Como não existe deslocamento, fica fácil tratar a sessão online como algo encaixável, hoje mais cedo, semana que vem mais tarde, quando der. Essa flexibilidade parece uma vantagem e cobra caro.

O horário fixo cria uma continuidade que o processo precisa. O que foi dito numa semana segue produzindo efeito e volta na seguinte, transformado. Encontros espaçados ou móveis perdem esse fio, e boa parte do tempo acaba indo para atualizar o que aconteceu em vez de aprofundar.

O que fazer quando não existe um cômodo privado em casa para a sessão online?

Existem algumas saídas. O carro estacionado, que é fechado e seu, funciona muito bem e é mais usado do que se imagina; combinar o horário para o momento em que a casa está vazia, mesmo que não seja o mais conveniente; ou usar fone e voz baixa num cômodo com porta, menos ideal, mas viável. O que não funciona é sala aberta com gente circulando ou fazer a sessão andando pela casa, e nesses casos é melhor remarcar do que fazer pela metade.

Preciso mesmo ligar a câmera na sessão online?

Precisa, e a razão é clínica, não de etiqueta. Boa parte do que se comunica numa sessão online está no que o rosto faz enquanto a frase é dita, na hesitação antes de uma palavra, no desvio de olhar, no sorriso que aparece contando algo triste. Isso tudo é material de trabalho. Existe uma exceção respeitada aqui. Em certos momentos, dizer algo muito difícil fica mais fácil sem ser vista, e nesse caso basta avisar.

Dá para fazer a sessão online segurando o celular na mão?

O celular funciona bem, desde que fique apoiado em algo firme, na altura aproximada do rosto, e não na mão. Segurar o aparelho por cinquenta minutos cansa o braço e produz uma imagem que balança o tempo todo. Além do cansaço físico, a mão ocupada tira algo que importa, os gestos. No consultório as pessoas gesticulam, mexem no anel, cruzam os braços, e esses movimentos dizem coisas.

O que fazer quando não é possível garantir as condições mínimas de privacidade e conexão para a sessão online?

Existem situações em que essas condições mínimas não se sustentam, e insistir no online seria fingir que está tudo bem. Uma sessão em conexão ruim, num lugar sem privacidade, com interrupção a cada dez minutos, é uma sessão prejudicada. Nesses casos, o presencial costuma ser mais indicado.

Continue lendo sobre atendimento online

Eficácia do Tratamento Psicanalítico Online

Eficácia do Tratamento Psicanalítico Online

Tratamento psicanalítico online: Sua eficácia e benefícios

No contexto da psicanálise, a modalidade de atendimento online tem se ampliado como uma prática crescentemente adotada por psicanalistas em todo o mundo.
Este fenômeno crescente levanta dúvidas pertinentes sobre a eficácia sobre a eficácia do tratamento psicanalítico realizado à distância, especialmente quando comparado ao atendimento em consultório presencial.

A psicanálise é uma disciplina fundamentada na análise profunda da psique humana e que tradicionalmente tem seus atendimentos realizados de forma presencial. Neste texto, explorarei a natureza, a eficácia e as potencialidades do atendimento psicanalítico em ambiente online, buscando oferecer uma compreensão sobre sua eficácia e aplicabilidade.

A dúvida é legítima, e faz sentido perguntar antes de começar. Como confiar num processo que depende tanto de presença, sabendo que boa parte dele agora acontece através de uma tela? A resposta curta é que o vínculo terapêutico nunca dependeu apenas do espaço físico compartilhado. Ele depende de consistência, de escuta atenta e de um enquadre claro, três coisas que sobrevivem à mudança de ambiente.

Adaptação da Psicanálise ao Ambiente Online

O tratamento psicanalítico online, enquanto prática terapêutica, historicamente valoriza a presença física e a observação direta do comportamento não verbal do paciente. A transição para o ambiente online, portanto, representou inicialmente um desafio conceitual e prático para muitos psicanalistas. No entanto, a adaptação a este novo meio tornou-se uma necessidade diante das mudanças sociais e tecnológicas, especialmente quando se ampliaram as práticas de serviços em homeoffice, aulas online e outras atividades, que antes eram potencialmente presenciais e hoje naturalmente ocorrem de maneira virtual.

Na época em que este texto foi escrito, ainda eram escassos os estudos que comparavam os resultados dos tratamentos por modalidade, mas muitos psicanalistas já realizavam seus atendimentos online e consideravam essa modalidade como uma tendência benéfica. Hoje esses estudos já existem, e reuni esse panorama atualizado no link abaixo. Até os psicanalistas mais ortodoxos migraram para a prática de atendimentos à distância. Nesse caso, enxergam os atendimentos virtuais como uma forma de popularizar a psicanálise, mantendo os conceitos fundamentais do processo analítico, como a transferência, a resistência, a associação livre e a interpretação, adaptados ao contexto online.

Na prática, o que muda é menos do que se imagina. A associação livre continua sendo dizer o que vem à cabeça, sem filtro, só que agora atravessando uma tela em vez de um cômodo silencioso. A transferência continua se formando entre paciente e analista, porque ela nunca dependeu do espaço físico, depende da regularidade do encontro e da qualidade da escuta, duas coisas que o formato online sustenta tão bem quanto o presencial, quando as condições básicas de privacidade e conexão estão garantidas.

Pessoa em atendimento por videochamada, tela do computador com o rosto de quem atende

Tecnologia e Interação Terapêutica

A tecnologia desempenha um papel fundamental no atendimento online. Plataformas como Google Meet, Zoom, Skype, entre tantas outras, facilitam a comunicação e a interação, mantendo a intimidade, o sigilo e a profundidade necessários para o processo terapêutico.

O atendimento online oferece vantagens significativas em termos de acessibilidade e flexibilidade, permitindo que pessoas de diversas localidades e com diferentes estilos de vida tenham acesso à psicanálise.

Um detalhe que costuma passar despercebido, entre melhorar a imagem e melhorar o áudio, vale investir no áudio. Uma conexão de vídeo instável incomoda, mas uma queda de áudio no meio de uma frase importante interrompe o processo de um jeito que a imagem trêmula não interrompe. Fone de ouvido simples e conexão estável resolvem a maior parte dos problemas técnicos que poderiam atrapalhar a sessão.

Vale também combinar antes o que fazer se a conexão cair no meio da sessão. Normalmente o psicanalista liga de volta, e o tempo perdido nesse intervalo entra na conta do horário combinado, sem prejuízo para o paciente.

Limitações da psicanálise online

Embora o atendimento online apresente diversas vantagens, também existem desafios e limitações a serem considerados. Como, por exemplo, questões de adequação do ambiente virtual para os diferentes tipos de pacientes e situações clínicas, a dependência dos recursos de internet e conexão, além de necessidade de dispositivos móveis compatíveis para acesso a vídeochamadas.

Um exemplo prático, pacientes que vivem em repúblicas, moram com muitas pessoas, ou não têm um cômodo que feche com privacidade, enfrentam uma barreira real que não tem solução apenas técnica, e às vezes exige negociar um horário ou um lugar alternativo, como o carro estacionado, para viabilizar a sessão.

Há também quadros clínicos em que o presencial segue sendo mais indicado, crises agudas, risco imediato, ou situações em que a leitura do corpo inteiro, não só do rosto na tela, faz diferença real para a condução do caso. Cabe ao psicanalista avaliar isso caso a caso, e não hesitar em indicar o presencial quando for a escolha mais segura.

O atendimento psicológico a distância é regulamentado no Brasil, a Resolução nº 9/2024 do Conselho Federal de Psicologia define as regras em vigor.

Para quem o formato online funciona melhor

Pessoas que moram longe de um psicanalista com a abordagem que procuram, que têm agenda apertada e não conseguem se deslocar, ou que se sentem mais à vontade falando de dentro do próprio espaço, tendem a se adaptar bem ao formato online desde as primeiras sessões.

Atendo pacientes que moram em cidades sem nenhum profissional de orientação psicanalítica por perto, e para eles o online é a única forma real de acesso a esse tipo de abordagem, não uma segunda opção.

No fim, os psicanalistas que já adotam o formato respondem à pergunta sobre se a psicanálise online funciona com a própria prática diária, sessão após sessão. A pergunta que realmente importa é se o formato funciona para você, nas condições que você tem hoje, e essa resposta só aparece testando, de preferência com alguém disposto a ajustar o que for preciso no caminho.

Já quem tem dificuldade de concentração diante de uma tela, ou associa o ambiente de casa a distrações constantes, pode levar mais tempo para aproveitar o formato. Isso é só parte do processo de adaptação, não motivo para desistir, e vale nomear e trabalhar isso junto com o analista.

Implicações para a Formação e Prática Profissional

A prática da psicanálise online requer habilidades e conhecimentos específicos, principalmente no que se refere aos atendimentos infantis. Nesse caso, é preciso avaliar as novas técnicas lúdicas virtuais, capazes de tornar possível as sessões com crianças pela internet, da mesma forma como ocorrem dentro de um consultório físico. Para isso, é preciso considerar a contratação de um psicanalista que esteja atualizado e apto para transpor esses desafios, a fim de garantir um tratamento eficaz e com resultados positivos.

Na prática, isso significa usar desenho, jogos compartilhados por tela e histórias contadas em voz alta como ferramentas equivalentes ao brincar presencial. A criança continua elaborando o que sente através do brincar, só que o suporte físico do consultório dá lugar a uma tela, o que exige mais criatividade do psicanalista para sustentar o vínculo.

No fim das contas, o formato certo é o que permite que o trabalho aconteça de verdade, com regularidade e privacidade garantidas, seja pela tela ou pelo consultório físico. O que sempre sustentou o processo foi o encontro entre duas pessoas dispostas a fazer esse trabalho, não o espaço em si.

O mesmo cuidado vale para adolescentes, que costumam ser o público mais confortável com o formato, mas que também precisam de um combinado claro sobre privacidade dentro de casa, um cômodo com porta, sem alguém ouvindo do outro lado, é condição básica para que a sessão cumpra sua função.

priscilafalchi.com.br atendimento de psicanalise online uma abordagem moderna e acessivel botao agendamento

Este texto é anterior à Resolução CFP nº 9/2024, que mudou as regras do atendimento psicológico por meios digitais no Brasil. Reuni o quadro atualizado, com a norma em vigor e o que a pesquisa brasileira mostra sobre eficácia, em psicanálise online: como funciona e o que dizem os estudos.

Como confiar num tratamento que depende de presença, sendo feito por vídeo?

O vínculo terapêutico nunca dependeu apenas do espaço físico compartilhado. Ele depende de consistência, de escuta atenta e de um enquadre claro — três coisas que sobrevivem à mudança de ambiente, desde que a privacidade e a conexão estejam garantidas dos dois lados da tela.

Para quem o atendimento online funciona melhor?

Pessoas que moram longe de um psicanalista com a abordagem que procuram, que têm agenda apertada e não conseguem se deslocar, ou que se sentem mais à vontade falando de dentro do próprio espaço, tendem a se adaptar bem ao formato online desde as primeiras sessões.

O atendimento online tem alguma limitação real?

Sim. Existem questões de adequação do ambiente virtual para diferentes tipos de pacientes e situações clínicas, a dependência de recursos de internet e conexão estável, e a necessidade de um cômodo com privacidade. Também há quadros clínicos, como crises agudas e situações de risco imediato, em que o presencial segue sendo mais indicado.

É preciso um psicanalista com formação específica para atender crianças online?

Sim. A prática online com crianças requer conhecimento de técnicas lúdicas virtuais, capazes de tornar possíveis as sessões pela internet da mesma forma como ocorrem num consultório físico, e vale considerar a contratação de um psicanalista atualizado e apto para transpor esses desafios.

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Como é a primeira sessão de psicanálise online

Como é a primeira sessão de psicanálise online

Marcar a primeira sessão de psicanálise online costuma ser mais difícil do que fazer. Quem chega no atendimento online quase sempre chega com a mesma pergunta guardada. E agora, como é que isso funciona?

Este texto responde a isso em detalhe, do que preparar antes até o que acontece nos dias seguintes. É o passo a passo mesmo, não sobre teoria, para você chegar sabendo o que esperar.

Antes da primeira sessão: o que preparar

Você precisa de três coisas, e nenhuma delas é sofisticada.

  • Um lugar onde ninguém entre. Não precisa ser bonito nem silencioso a ponto de parecer estúdio. Precisa ser um lugar onde você não vá se interromper para baixar a voz.
  • Fone de ouvido. Faz mais diferença do que a câmera. Ele protege o que você diz de quem está na casa e melhora muito o que você escuta.
  • Conexão estável. Estável importa mais do que rápida. Uma conexão modesta e constante funciona melhor do que uma rápida que cai.

Se você mora com outras pessoas e não tem um cômodo só seu, duas saídas costumam resolver, o carro estacionado, que é mais usado do que se imagina, ou combinar o horário com quem divide a casa. Já atendi gente que faz sessão do carro há anos.

Uma última coisa prática. Deixe um copo de água por perto e o celular no silencioso. Parece detalhe, mas evita a interrupção justo quando você chegou a algum lugar.

Primeira sessão de psicanálise online por videochamada

Os primeiros minutos

A chamada abre no horário combinado, e os primeiros minutos costumam ser de acomodação. Muita gente pede desculpa por estar nervosa, ou avisa que não sabe por onde começar. As duas coisas são absolutamente comuns.

Eu não faço entrevista de anamnese com formulário. Não existe uma lista de perguntas a preencher. O que existe é um convite para você falar do que te trouxe, na ordem que vier.

O que se fala numa primeira sessão

Você não precisa chegar com o problema organizado. Aliás, se ele estivesse organizado, provavelmente já teria se resolvido.

O mais comum é começar pelo que está mais em cima, uma situação recente, um sintoma que apareceu, uma decisão travada. A partir dali, a conversa vai onde precisa ir. Às vezes o assunto do dia se revela ligado a algo de vinte anos atrás, e isso aparece sozinho.

Se você chegar sem saber o que dizer, tudo bem. "Não sei por onde começar" é um começo perfeitamente bom, e diz mais do que parece.

O silêncio, e por que ele não é problema

No online o silêncio assusta mais, porque a tela sem som parece travamento. Vale saber de antemão que o silêncio faz parte, e não é falha de conexão nem constrangimento.

Quando você para no meio de uma frase, esse ponto costuma ser importante. Eu não vou preencher esse espaço com pergunta só para evitar o vazio. Se a pausa for longa demais e você quiser, é só dizer.

Como a sessão termina

A primeira sessão tem cinquenta minutos, como todas as outras, e eu sinalizo o fim. O tempo delimitado faz parte do método, não falta de interesse, e o que ficou pela metade volta na semana seguinte, quase sempre transformado.

Na primeira sessão os minutos finais servem também para o combinado prático, frequência, horário fixo, valor e forma de pagamento. Nada disso fica subentendido.

O que acontece depois

É comum sair da primeira sessão de psicanálise online com uma sensação estranha, difícil de nomear. Alívio misturado com cansaço, às vezes vontade de chorar no meio da tarde. Isso não é sinal de que deu errado.

Também é comum o assunto continuar rendendo durante a semana. Uma frase que você mesma disse volta na segunda-feira e faz outro sentido. Esse trabalho fora da sessão é parte do processo.

Uma diferença prática do online. No consultório existe o caminho de volta, que serve de transição. Em casa, a sessão acaba e a vida está do outro lado da porta. Vale reservar quinze minutos depois, sem compromisso em seguida.

As dúvidas que quase todo mundo tem

Preciso ligar a câmera? Sim, e isso não é formalidade. Ver o rosto muda a qualidade da escuta dos dois lados.

E se eu chorar? Vai acontecer, e não tem problema nenhum. Não precisa se desculpar nem desligar a câmera.

E se cair a conexão? A gente retoma. Combinamos isso na primeira sessão, e uma queda não encerra o encontro.

Uma sessão só resolve? Não, e quem promete isso está vendendo outra coisa. A primeira sessão serve para vocês dois verem se faz sentido seguir juntos. Sobre quanto tempo dura o processo, escrevi em quanto tempo dura uma análise.

É a mesma coisa que presencial? Em quase tudo. O que a pesquisa mostra sobre isso está em psicanálise online: como funciona, com as regras do Conselho Federal de Psicologia e as meta-análises de 2024.

Se você quiser marcar essa primeira conversa, é por aqui. Atendo online para todo o Brasil.

O medo que costuma vir antes da primeira sessão

Vale nomear o que trava muita gente na véspera, porque quase ninguém diz em voz alta.

O primeiro é o medo de não ter assunto suficiente. A pessoa imagina que vai chegar, falar por dez minutos e ficar sem nada. Na prática acontece o contrário. Cinquenta minutos passam rápido, e o mais comum é a sessão acabar no meio de uma frase.

O segundo é o medo de estar exagerando. "Tem gente com problema muito pior que o meu." Não existe uma medida mínima de sofrimento para procurar um psicólogo, e comparar dor com a dor dos outros só serve para adiar.

O terceiro é mais específico do online, o receio de que pela tela não vá funcionar. É uma dúvida legítima, e a pesquisa recente responde a ela com clareza. Escrevi sobre isso em psicanálise online.

O combinado: frequência, valor e faltas

Três pontos ficam definidos já na primeira sessão, para não sobrar mal-entendido depois.

Frequência. Uma vez por semana, em horário fixo. O horário fixo cria a continuidade que sustenta o trabalho, não é burocracia. O que foi dito numa sessão segue produzindo efeito durante a semana e volta transformado na seguinte.

Valor e pagamento. Combinados na primeira conversa, sem surpresa depois. Se o valor for um problema, é melhor dizer logo. Existe conversa possível, e adiar por causa disso costuma custar mais caro lá na frente.

Faltas e remarcações. Também se combina no começo. Imprevisto acontece com todo mundo, e ter a regra clara evita que a falta vire constrangimento.

Como conferir quem vai te atender

Duas coisas são objetivas e você pode conferir antes de qualquer conversa, em qualquer profissional.

A primeira é o registro no Conselho Regional de Psicologia, que todo psicólogo tem e pode informar. Dá para consultar no cadastro nacional do Conselho Federal de Psicologia, que é público e gratuito.

A segunda é a formação em psicanálise, que é diferente da graduação em psicologia. Perguntar isso é informação que você tem direito de ter antes de escolher, não falta de educação.

É normal ter silêncio durante a sessão de psicanálise online?

Sim, o silêncio faz parte do processo, não é falha de conexão nem constrangimento. No atendimento online ele costuma assustar mais, porque a tela sem som parece travamento, mas quando a pessoa para no meio de uma frase, esse ponto geralmente é importante, e não precisa ser preenchido com uma pergunta só para evitar o vazio.

O que preciso preparar antes da primeira sessão de psicanálise online?

Você precisa de três coisas, e nenhuma delas é sofisticada. Um lugar onde ninguém entre, que não precisa ser bonito nem silencioso a ponto de parecer estúdio, só um lugar onde você não vá se interromper para baixar a voz. Fone de ouvido, que faz mais diferença do que a câmera, porque protege o que você diz de quem está na casa e melhora muito o que você escuta. E conexão estável, porque uma conexão modesta e constante funciona melhor do que uma rápida que cai.

Quanto tempo dura a primeira sessão e o que é combinado nela?

A primeira sessão tem cinquenta minutos, como todas as outras. Nos minutos finais, é combinado o prático, frequência, horário fixo, valor e forma de pagamento. A frequência costuma ser uma vez por semana, em horário fixo, porque isso cria a continuidade que sustenta o trabalho. O valor e a forma de pagamento são combinados na primeira conversa, sem surpresa depois.

É normal ter medo de não ter assunto suficiente na primeira sessão?

É um dos medos mais comuns. A pessoa imagina que vai chegar, falar por dez minutos e ficar sem nada. Na prática acontece o contrário, cinquenta minutos passam rápido, e o mais comum é a sessão acabar no meio de uma frase.

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Priscila Soares Falchi
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